— Papai, não é isso…
Afonso adiantou-se, protegendo as crianças com sua presença imponente:
— Se não tivéssemos aparecido a tempo, agora você estaria gritando de raiva diante do túmulo do seu filho.
Sérgio empalideceu de ódio:
— Que asneira você está falando? Amélia, o Afonso está rogando praga no seu filho agora? Para ficar com ele, você aceita que ele fale assim da criança?
Lucas tomou a frente:
— A Amélia nunca deixou de cuidar do Daniel, tá bom? O Daniel esteve com a gente esses dias todos e foi muito bem tratado. E o que ele disse não é praga, é um fato.
O menino encarou Sérgio com seriedade adulta:
— Só porque é uma verdade dolorosa, você surta? Pense bem: duas cobras venenosas entraram no quarto do seu filho. Se não tivéssemos chegado a tempo e arrombado a porta, você acha que o Daniel estaria aqui em pé para ouvir seus gritos?
Sérgio gelou. — Do que vocês estão falando?
— Eles não estão mentindo — disse Amélia, a voz firme mas sem o tom de briga, apenas constatação. — No dia em que fomos buscar o Daniel, se tivéssemos demorado um segundo a mais, aquela cobra teria picado ele. Se não acredita no incidente das cobras, pergunte à sua mãe. Mas como imagino que da boca da Nádia não saia muita verdade, pergunte na portaria do condomínio. Devem ter fotos e registros. Algumas coisas se resolvem abrindo a boca e perguntando, em vez de chegar acusando a criança sem saber de nada.
Daniel, com lágrimas nos olhos, olhou para o pai:
— Papai, me desculpa. Eu sei que você tem trabalhado muito esses dias, por isso não te liguei. Pensei que se ficasse quietinho aqui com a mamãe, tiraria um peso das suas costas. Desculpa, não imaginei que você ficaria tão bravo.
Ele soluçou:
— Mas se não fosse a mamãe e o Lucas… eu realmente nunca mais veria você.
— Me desculpa… eu sou seu filho, mas sou medroso. Tenho medo de ficar sozinho no quarto, tenho medo de cobra. Por isso… desculpa, eu queria ficar com a mamãe.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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