— Quem é? — perguntou Adriana, impaciente.
Vitória olhou para o relógio, ansiosa.
— Mãe, não temos tempo para visitas agora. O Afonso disse que era algo grandioso, se não formos, vamos nos arrepender.
Mas antes que pudessem dar mais um passo, uma mulher entrou na sala. Vestia um longo vestido verde-esmeralda e caminhava com um ar de superioridade irritante, o nariz empinado.
— Minha senhora... quanto tempo. Você continua com essa aura... brilhante.
Ao ouvir aquele tratamento, Adriana parou. Apertou os olhos, tentando reconhecer a figura à sua frente.
— Quem é você?
— Sou eu, Fabiana. A senhora se esqueceu de mim?
— Fabiana? — O rosto de Adriana se iluminou, e ela correu para segurar as mãos da mulher. — Fabiana, é você mesmo! Meu Deus, faz cinquenta anos! Eu nunca imaginei que te veria de novo!
— É verdade, minha senhora. Cinquenta anos — respondeu Fabiana, com um sorriso que não chegava aos olhos.
— Como você está?
— Estou muito bem. Acabei de voltar do País M. Morei lá durante todas essas décadas.
— Você foi para o exterior... Lembro que saiu às pressas dizendo que ia se casar. Eu só consegui te dar algum dinheiro na época. Sempre quis conhecer seu marido, pedir a ele que cuidasse bem de você, mas você o escondeu tão bem... nunca me deixou vê-lo.
— A situação era... delicada — disse Fabiana, com um tom de escárnio sutil. — Mas agora você pode vê-lo. Ele voltou comigo. Temos uma vida plena, filhos, netos... Cinquenta anos de um casamento cheio de amor. Valeu a pena cada segundo.
— Fico tão feliz. Para nós, mulheres, ter um marido amoroso e ver a família crescer é a maior bênção.
— Pois é. Para uma mulher comum como eu, ter o marido ao lado é tudo. Diferente da senhora, né? Tornou-se uma lenda no País Alfa, criando o filho sozinha, viúva, carregando o Grupo Vieira nas costas... Admiro sua força para aguentar tanta solidão.
O sorriso de Adriana vacilou.
— Fabiana, do que você está falando? Que história é essa de viúva solitária?
Vitória, que observava a cena em silêncio, sentiu um calafrio. Aquela mulher não lhe cheirava bem. O tom de voz era polido, mas o olhar era de cobra. Aquela era a antiga empregada da sogra?
— Dona Fabiana, minha sogra não está bem de saúde. Peço que meça suas palavras — interveio Vitória, ríspida.
— Ah, a saúde está frágil? Então deve descansar.
Adriana, porém, não soltou a mão dela.
— Não. Fabiana, explique isso direito. Você disse que eu "carreguei o grupo sozinha". Eu e o Natanael fomos felizes por metade da vida, tivemos nossos netos. O que você quer dizer?
— Minha senhora, se sua memória está falhando, melhor não forçar. Eu só vim fazer uma visita.
— Não! Você vai me contar o que está acontecendo!
Nesse exato momento, a porta se abriu e Natanael entrou. Ao ver Fabiana parada ali, no meio da sala, ele congelou.
Fabiana, ao ver Natanael, estreitou os olhos. Ele havia prometido que não voltaria, e lá estava ele, visitando a "outra".
Adriana, alheia à tensão, correu até o marido e agarrou seu braço:
— Natanael! Olha quem está aqui, a Fabiana! Lembra dela? Minha dama de companhia de cinquenta anos atrás! Mas ela está dizendo coisas estranhas... disse que eu fiquei viúva cedo, que cuidei de tudo sozinha. Diga a ela, Natanael! Diga que fomos felizes esse tempo todo!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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