Natanael estava lívido. Ele se virou para Fabiana, furioso:
— O que você veio fazer aqui? Veio encher a cabeça dela de asneiras?
O plano de Natanael era simples: convencer Adriana a interceder por ele junto a Afonso. Se o neto era o dono do Grupo GZ, então o Grupo Vieira poderia ficar para Sebastião. Mas a presença de Fabiana arruinava tudo.
Fabiana, vendo Natanael defender Adriana, sentiu o ciúme explodir. Ela soltou uma risada amarga:
— Asneiras? Eu estou falando asneiras, marido?
Ao ouvir a palavra "marido", Vitória sentiu o chão sumir. Ela reconheceu o olhar, a postura. Aquela era a mulher. A amante de cinquenta anos!
Adriana recuou, confusa.
— Você chamou o Natanael de... quê? Marido?
— Isso mesmo — disparou Fabiana, destilando veneno. — Ele é o meu marido. Desculpe, minha senhora. O homem com quem eu ia me casar cinquenta anos atrás era o Natanael. Foi ele quem me proibiu de contar. Ele dizia que, preso a essas tradições feudais e a você, jamais seríamos felizes. Só no País M poderíamos viver nosso amor livremente. Nossos corpos e almas finalmente libertos.
As palavras de Fabiana atingiram Adriana como um choque elétrico.
A mente dela, antes nebulosa, clareou num estalo violento. As memórias represadas romperam a barragem. Cinquenta anos atrás... Fabiana pedindo para sair para casar. Adriana dando suas economias, seu dote, para que ela fosse feliz. Pouco tempo depois, a notícia da morte de Natanael. A explosão. O corpo irreconhecível.
Ela se lembrou de tudo. Da dor de criar o filho sozinha. De lutar contra tubarões nos negócios sendo uma viúva jovem. Da dor de perder o filho anos depois. Ela aguentou tudo. E agora descobria que o marido não tinha morrido. Ele tinha fugido. Forjado a própria morte para viver com a empregada!
E agora, voltava com os netos da traição para roubar o que ela construiu com sangue e suor.
A realidade bateu com a força de um trem. Adriana levantou a mão e, com toda a força que lhe restava, desferiu um tapa estalado no rosto de Natanael.
— Como você tem a coragem de pisar aqui?! — gritou ela, tremendo. — Cinquenta anos atrás você disse que estava morto. Então, faça um favor a todos nós: continue morto!
Natanael levou a mão ao rosto, atordoado.
— Você... você se lembrou?
— Sim! Eu me lembrei de tudo! — Adriana chorava de raiva. — Você é repugnante. Fingiu a própria morte, me abandonou e agora traz essa corja para roubar o patrimônio da minha família? Eu nunca vou entregar o Grupo Vieira a você!
Fabiana, vendo o marido ser humilhado, interveio com arrogância:
— Não importa se você quer ou não. O presidente do Grupo Vieira agora é o meu neto, Sebastião. O que está feito, está feito.
Natanael, desesperado para manter o controle da situação, apontou o dedo para Fabiana:
— Cale essa boca agora!
Fabiana arregalou os olhos, incrédula.
— Eu sou sua esposa há cinquenta anos e você está gritando comigo por causa dela?
— Se você quer o bem do Sebastião, feche essa maldita boca! — rugiu Natanael.
— O bem do Sebastião? Você está é enfeitiçado por essa velha! Eu devia ter imaginado. Mal voltou e já está de quatro por ela. Velho sem vergonha, nem na decrepitude deixa de correr atrás de rabo de saia!
Aquilo foi a gota d'água para Vitória. Ver a sogra ser humilhada dentro da própria casa por aquela intrusa foi demais.
Ela avançou como um furacão e deu um tapa fortíssimo na cara de Fabiana.
— Quem você pensa que é para falar assim da minha sogra? Você seduziu o marido dela, destruiu a vida dela e ainda vem aqui cantar de galo? Sua vagabunda!
Vitória não parou. A raiva era tanta que ela emendou mais dois tapas, fazendo o rosto de Fabiana virar para o lado.
Fabiana, com a mão na bochecha vermelha, olhou para Natanael, fingindo-se de vítima:
— Ela me bateu! Natanael, você viu? Ela me bateu!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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