Wilson estava sem palavras. Nunca tinha visto tamanha loucura, nem nas novelas mais dramáticas.
— Entra logo, antes que eu me arrependa.
Sérgio, com o rosto banhado em sangue, entrou na casa. Amélia estava sentada, com o rosto inexpressivo, os sentimentos trancados a sete chaves.
Ao ver Sérgio entrar naquele estado deplorável, ela levou um susto e saiu de seu transe.
— Sérgio? O que aconteceu com você?
Sérgio tentou sorrir, o que só tornou a cena mais grotesca:
— Não foi nada... só um pequeno acidente, bati sem querer.
Wilson, logo atrás, revirou os olhos. "Sem querer"? O cara quase abriu o crânio de propósito. Mas, pelo menos, teve a decência de não culpar Wilson.
Amélia franziu a testa. Um "pequeno acidente" não deixava alguém naquele estado.
Imediatamente, ela ordenou que a empregada trouxesse o kit de primeiros socorros e começou a limpar o ferimento dele.
Sérgio observava Amélia fixamente. Embora ela parecesse calma e fria por fora, ele sabia que aquele era o momento em que ela estava mais destruída.
Era o mecanismo de defesa dela: parecer intacta enquanto o coração estava em carne viva.
— Amélia... — começou Sérgio, com voz suave. — Se você estiver triste, pode falar comigo. Não precisa aguentar tudo sozinha.
Wilson bufou num canto. O cara se arrebenta na parede só para entrar e dizer "pode desabafar"? Patético.
Amélia não parou o curativo, mas sua voz era gelada:
— Falar o quê com você? Você é apenas meu ex-marido, Sérgio Barros. Assim que o curativo estiver pronto, vá embora. E tente não sujar o chão de sangue.
— Amélia, eu sei que não tenho direitos... mas eu realmente me preocupo com você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
Por favor, atualizem o livro....