— Eu não consigo explicar agora o que realmente aconteceu ou como aconteceu — insistiu Sérgio, teimoso. — Mas meu instinto diz que há algo muito suspeito nessa história.
— Ah, claro, o seu instinto — zombou Wilson. — Você fala com tanta certeza que a Neusa não faria isso. Todo mundo lá fora está dizendo que ela seduziu o Afonso e ele, como bom homem fraco, não resistiu. Por que você confia tanto nela? Vocês são íntimos agora?
— Eu já tive contato com ela em negócios. Ela não tem esse perfil. Tem caroço nesse angu.
Nesse momento, a empregada entrou na sala, hesitante:
— O Sr. Afonso está no portão.
— Coloquem ele para correr! — ordenou Wilson, furioso.
Wilson não queria aquele traidor perturbando a paz de Amélia. Mas Amélia levantou a mão, interrompendo a ordem.
— Deixe ele entrar.
— Minha irmã, você tem certeza? Vai se torturar para quê?
Amélia assentiu, o olhar vago.
— Deixe ele entrar.
Quando Afonso entrou na sala, deparou-se com Sérgio e sua cabeça enfaixada. Seus olhos se estreitaram. Sérgio estava ali fazendo cena? Tentando aproveitar a brecha para reconquistar Amélia?
Ignorando o rival, Afonso foi direto a Amélia:
— Amélia, me perdoe. Eu fui enganado, foi uma armadilha. Eu jamais imaginei que a Neusa fosse capaz de algo assim. Eu achava que ela tinha caráter.
Essa frase foi a gota d'água para Wilson.
— Vocês são hilários! — gritou Wilson, batendo palmas sarcásticas. — Primeiro vem esse aqui dizer que a Neusa é uma santa. Agora vem você dizer que achava que ela tinha caráter. Então a Neusa não tem culpa, você não tem culpa... a culpa deve ser da minha irmã, né? Por ter escolhido homens tão patéticos! Saiam todos daqui!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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