Khandra
Depois do banho, desci as escadas com o coração pesado. Meu corpo ainda estava quente, mas a minha mente já tinha voltado para o caos que aquela noite tinha se tornado. Pashir me esperava perto da porta, apoiado na parede, mexendo no telefone. Quando me viu, guardou o aparelho sem dizer uma palavra.
Entramos no carro em silêncio.
Nenhum de nós dois falou nada durante o trajeto. Eu observava as luzes de Dubai passando pela janela, tentando organizar os pensamentos. Não era ciúme. Não era medo de perder Pashir. Era algo mais profundo: a sensação de que Maisha estava disposta a tudo para me colocar como vilã dessa história.
Seguimos direto para o hospital particular onde ela estava em observação. Um lugar luxuoso, silencioso, com cheiro forte de limpeza e corredores amplos, frequentado por famílias importantes. Assim que entramos, Pashir foi até a recepção e pediu informações. Antes de ir ao quarto, fez questão de falar com a médica responsável.
Eu fiquei alguns passos atrás, observando.
A médica explicou com calma que Maisha havia relatado sintomas estranhos, mas que, naquele momento, ela estava estável. Já tinha sido medicada, estava hidratada, e um ultrassom seria feito no dia seguinte para confirmar se estava tudo bem com o bebê.
Vi o alívio passar pelo rosto de Pashir.
E, por mais contraditório que fosse, eu também respirei aliviada. Eu não queria que aquela criança sofresse. Nunca quis.
Seguimos pelo corredor até o quarto. Antes mesmo de chegarmos à porta, vi Maria, a mãe de Maisha, sentada em uma das cadeiras. Ela se levantou assim que nos viu. O olhar dela era firme, atento, como alguém que já tinha decidido tudo antes mesmo da conversa começar.
Quando Pashir deu um passo em direção à porta, ela se colocou à frente.
— Boa noite. Antes de entrar, precisamos conversar.
A voz era educada, mas carregada de autoridade.
— Você é o pai do filho da minha filha, não é? Então temos assuntos importantes para tratar.
Senti meu maxilar travar. Aquilo não me agradou nem um pouco.
— Com todo respeito, Dona Maria, falei, controlando o tom, esse assunto deveria ser resolvido entre ele e sua filha.
Ela virou o rosto lentamente para mim, analisando cada detalhe da minha expressão.
— Boa noite novamente, Khandra.
— Não estou pedindo. Estou dizendo.
Respirei fundo, mas permaneci em silêncio.
— Tudo que envolve minha filha envolve a mim.
— Você é mãe. Sabe exatamente o que isso significa.
Ela cruzou os braços e continuou, agora olhando para nós dois.
— Não me trate como alguém que não tem direito de se meter. Minha filha pode ter a idade que for, eu continuo sendo mãe.
— E se quiserem falar com ela, essa conversa acontece primeiro comigo.
O tom dela se tornou mais duro.
— O que aconteceu hoje foi vergonhoso. Duas mulheres brigando em público.
— Uma grávida. A outra mãe de duas crianças. Isso não é comportamento aceitável.
Senti o sangue ferver.
— Essa criança não vai morar com vocês, ela completou.
— Ela ficará comigo.
Pashir deu um passo à frente.
— Como assim eu não posso acompanhar a gravidez? Esse é meu primeiro filho. Eu quero estar presente.
Maria respirou fundo, como quem tenta manter a paciência.
— Então precisamos conversar com calma.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik
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