Narrado por Lara
Olhei meu reflexo no espelho pela terceira vez em menos de dez minutos. O vestido dourado de seda fluía pelo meu corpo como uma segunda pele. O decote era elegante, mas ainda assim ousado o suficiente para fazer minhas bochechas corarem. Meus cabelos estavam soltos, com ondas suaves caindo sobre os ombros. A maquiagem leve deixava meus olhos mais marcantes. Eu estava bonita. Muito bonita.
Mas também estava nervosa.
Era estranho. Eu tinha convivido com Khaled tempo suficiente para saber que ele era um homem perigoso. Mas também... um homem de camadas. E desde a noite do hospital, ele tinha sido diferente comigo. Cuidadoso. Atento. Como se estivesse tentando me proteger de tudo, até mesmo dele.
Hoje, ele tinha dito que queria me levar para jantar. Nada grandioso, só nós dois. Um momento a sós. Só que desde que ouvi a conversa dele com o pai, algo vinha martelando na minha cabeça: o bendito herdeiro.
Ouvi uma batida leve na porta. Respirei fundo e me virei. Ele estava lá. Khaled usava um terno preto impecável, com a gola aberta, sem gravata. O cabelo estava penteado para trás, os olhos escuros varrendo meu corpo de cima a baixo.
— Você está... deslumbrante — disse ele, num tom baixo que fez meu estômago virar.
— Obrigada... — murmurei, pegando a bolsa com as mãos trêmulas.
Descemos juntos. O carro já nos esperava. Khaled abriu a porta para mim e entrou logo depois. O silêncio reinou por alguns minutos enquanto o carro cortava as ruas de Dubai sob as luzes douradas do entardecer.
— Está tudo bem? — ele perguntou, me observando de canto.
Assenti, mesmo sabendo que não estava.
— É sobre... o herdeiro, não é?
Mordi o lábio inferior, sem saber como começar. Mas ele foi direto. Como sempre.
— Meu pai está me pressionando. Aqui no Oriente Médio, Lara, ter filhos não é apenas um desejo. É uma necessidade. Um homem que não tem herdeiros é considerado incompleto. É tradição. É honra. É poder. — Ele olhou pela janela antes de continuar. — E quanto mais filhos, melhor.
— Mas... isso é um fardo enorme pra mulher — falei. — Como se a única função dela fosse gerar filhos.
— Para muitas famílias, é exatamente isso. — Ele não mentiu. — Claro que há exceções. Mas você sabe... o peso da cultura aqui é forte. Antigo. Resistente.
Hesitei antes de perguntar:
— E... o que acontece se uma mulher não pode engravidar?
Khaled respirou fundo.
— Se um homem descobre que sua esposa não pode ter filhos... ele pode se divorciar. Dependendo da família, é até obrigado. A infertilidade aqui ainda é vista como um fracasso — principalmente se vier da mulher.


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