Narrado por Lara
A noite chegou abafada, mas eu não conseguia parar de tremer.
Tentei dormir. Virei de um lado pro outro. Mas o travesseiro parecia mais um campo de batalha. O peito apertado, os pensamentos me mastigando por dentro. A revelação de Khaled ecoava sem parar.
Ele desfez a vasectomia.
Ele quer um filho comigo.
Aquela frase batia na minha mente como uma batida de tambor tribal: constante, antiga, instintiva.
Me levantei devagar e fui até o espelho.
A camisola longa de seda delineava meu corpo de forma suave. Parei em frente ao vidro. Observei minha silhueta. Meus olhos estavam diferentes. Mais escuros. Assustados. Mas havia algo novo ali. Algo que nem eu queria admitir.
Curiosidade.
Levei as mãos até o ventre. Não havia nada ali. Só pele. Músculo. Ossos. Mas a ideia... a ideia de carregar algo dele dentro de mim…
Foi aí que o medo se chocou com o desejo.
E me quebrou por dentro.
Fui até a varanda. O céu de Dubai brilhava com luzes distantes. Tão longe da minha antiga vida. Tão longe de qualquer coisa que eu um dia imaginei.
“E se eu engravidar?”, pensei.
“E se ele conseguir me transformar em algo que não sou?”
Fiquei ali por mais de uma hora, de pé, de braços cruzados, sentindo o vento bagunçar meu cabelo.
Quando voltei para a cama, finalmente dormi.
Mas sonhei com berços, com choro de bebê, com Khaled de mãos ensanguentadas segurando uma criança. Acordei arfando.
E, como sempre, ele não estava ao meu lado.
Desci as escadas.
Foi quando vi a movimentação no térreo.
Uma mulher de jaleco branco, elegante, morena, estava em pé com uma maleta médica nas mãos. Samira estava com ela, parecendo um pouco nervosa.
— Bom dia, senhora Rashid — disse a médica com um sorriso gentil. — Sou a doutora Amina. Fui enviada por seu marido. Ele pediu para que eu fizesse sua primeira avaliação médica.



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