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Vendida ao Sheik romance Capítulo 80

Narrado por Lara

Desde aquela noite, algo dentro de mim mudou.

Não foi imediato, como um rompimento.

Foi mais como um estalo — aquele som silencioso que só você ouve por dentro.

A certeza de que, dali em diante, nada mais poderia ser aceito sem perguntas.

Porque alguém me avisou.

E isso, naquele mundo onde todos fingem, significa muito.

“Fuja enquanto pode.”

Essas palavras martelavam a minha mente com a insistência de um tambor antigo.

E o sorriso gelado de Khaled quando as repeti para ele... esse ecoava mais alto.

Eu sabia que não podia perguntar de novo.

Não sem levantar suspeitas.

E se Khaled achasse que eu estava tentando descobrir algo, não haveria perdão.

Então eu fiz o que ele não esperava.

Fui silenciosa.

E comecei a observar.

---

Na manhã seguinte, acordei antes dele.

Me vesti com calma. Nada chamativo. Um vestido branco simples, pés descalços.

Pedi um chá no quarto, como fazia às vezes, e quando Samira entrou, perguntei casualmente:

— Você esteve no jantar ontem?

Ela hesitou um instante, mas respondeu:

— Não, senhora. Só os convidados principais.

Assenti, olhando para a xícara.

— Você conhece alguma mulher que tenha sido... próxima do seu patrão? Antes de mim?

Samira congelou.

Os olhos abaixaram. As mãos se cruzaram na frente do avental.

— Eu não... não saberia dizer, senhora.

Mentira.

Ela sabia. Mas não podia dizer.

— Se souber de algo, pode me contar. Não vou dizer que veio de você.

Ela levantou o olhar devagar.

— A casa tem olhos, senhora.

E saiu.

A casa tem olhos.

E ouvidos, pensei.

Mas também tem sombras.

E é nelas que eu ia entrar.

---

Naquela tarde, fingi um leve mal-estar. Khaled ofereceu me levar ao médico, mas eu recusei. Disse que só precisava descansar, e ele acabou saindo sozinho para uma reunião.

Esperei a casa silenciar.

E voltei à biblioteca da ala leste.

Dessa vez, levei uma lanterna pequena escondida no bolso do vestido.

A iluminação baixa do corredor não ajudava, e eu não queria chamar atenção ligando as luzes centrais.

Fechei a porta com cuidado atrás de mim e comecei a andar entre as estantes.

Havia livros em árabe, francês, inglês — a maioria deles empoeirada, intocados.

Comecei a puxar os volumes. Um por um.

Alguns falavam sobre política internacional. Outros sobre estratégias de guerra, genealogias antigas das famílias mais poderosas do Oriente Médio. Khaled parecia obcecado com linhagem.

Mas foi numa prateleira mais baixa, perto do chão, que encontrei o que me fez congelar.

Uma caixa de madeira entalhada com o símbolo da família Rashid.

Não era a mesma da outra vez. Essa estava trancada com chave.

Mas quando tentei mover, ela deslizou — e atrás dela, escondida, havia uma abertura no fundo da estante.

Um compartimento.

Meu coração disparou.

Alcancei a mão.

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