Narrado por Lara
Desde que Khaled soube da gravidez, tudo mudou.
Mas não da forma que eu esperava.
Nem da forma que eu queria.
Ele não gritou.
Não comemorou com euforia.
Não fez promessas doces.
Apenas... observou.
Com os olhos fixos em mim como se agora eu carregasse algo que o tornava invencível.
Como se minha barriga — ainda invisível — fosse a prova viva de que ele tinha vencido.
Eu não era mais esposa.
Nem refém.
Eu era território conquistado.
E ele…
o soberano de cada batida dentro de mim.
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Na primeira manhã após a confirmação, acordei com três mulheres dentro do quarto.
Duas eram enfermeiras. A outra, uma médica obstetra.
— O que é isso? — perguntei, sentando na cama, o estômago embrulhado.
— Elas vão cuidar de você. — Khaled apareceu na porta, com uma xícara de chá na mão. — A partir de agora, cada detalhe da sua saúde é prioridade.
— Eu não pedi isso.
— E eu não pedi para você fugir. — ele rebateu, calmo. — Mas ainda assim você fez. Agora, estamos quitando essa dívida.
Tentei protestar, mas a médica já media minha pressão. As outras tiravam amostras de sangue, listavam exames.
— Isso é um exagero — murmurei.
— Isso é proteção. — ele corrigiu, se aproximando — Eu cuido do que é meu.
Toquei o lençol com os dedos, tentando controlar a tremedeira.
Tudo parecia tão surreal.
Ele passou o braço pelas minhas costas e beijou minha têmpora.
— Você está carregando o futuro da nossa linhagem, Lara. O primeiro herdeiro Rashid que vai nascer das minhas mãos. Eu não vou permitir nenhum erro.
— E se... — minha voz falhou — e se algo der errado?
Ele ficou em silêncio por um instante.
Depois, falou com uma firmeza que me gelou o sangue:
— Não vai dar.
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Os dias seguintes foram um desfile silencioso de limites rompidos.
Tudo que eu comia era aprovado por um nutricionista particular.
Minhas roupas, ajustadas por costureiras especializadas em gestantes da realeza.
Até minha rotina de sono era monitorada por sensores escondidos no colchão.
E Khaled…
Ele estava sempre perto.
Mas nunca leve.
Mandava flores para o quarto.
Rosas brancas. Lírios. Orquídeas raras.
Mas também deixava seguranças na porta.
Dois. À noite e durante o dia.
Não era só proteção.
Era aviso.
Você não vai fugir.
Nunca mais.
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Uma noite, me senti sufocada.
Fui até o jardim interno. Precisava de ar. De silêncio.
Estava escuro, e por um momento, pensei que poderia ficar sozinha ali.
Mas Khaled me seguiu.
Silencioso, como sempre.
— Você não pode simplesmente sumir — disse, parando ao meu lado.
— Eu não sumi. Só precisava respirar.
— Você respira por dois agora.
Revirei os olhos.
— Você fala do bebê como se ele fosse um império.



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