Narrado por Lara
A noite caiu devagar, envolta num silêncio espesso.
Depois do café da manhã no jardim, tudo parecia suspenso. Nem brigas, nem afagos. Um tipo estranho de paz — desconfortável, como um laço frouxo em volta do pescoço. Passei o dia sozinha, lendo pedaços de um livro que não absorvia, tentando distrair a mente do caos que me habitava.
Desde que soube o que Khaled fez com minhas irmãs, algo dentro de mim rachou de vez. E embora ele tentasse amenizar a brutalidade com gestos suaves, eu sabia que dentro daquele homem morava algo que eu nunca conseguiria entender completamente.
Tomei um banho, vesti uma camisola de cetim clara — simples, mas justa o bastante para delinear minha barriga ainda discreta. Prendi o cabelo em um coque frouxo e fui até a cama. Não para dormir, mas para pensar.
Foi quando ouvi a porta se abrir.
Khaled entrou devagar, sem anunciar nada.
Sem camisa, usando apenas calça de linho escura e com os cabelos levemente molhados, como se também tivesse tentado aliviar o peso do dia com um banho.
Fechou a porta atrás de si e parou ali, me observando por um longo tempo.
— Eu podia sentir seu perfume do corredor — ele disse, com a voz baixa. — Lavanda... como naquela primeira noite no deserto.
Não respondi.
Ele se aproximou devagar, os olhos fixos nos meus, mas com menos ameaça do que de costume. Estava diferente. Mais... humano?
Parou a poucos passos da cama.
— Eu estou com saudade.
— De quê? — perguntei sem encará-lo.
— De você. Mas não só da sua presença.
— Ele abaixou o tom. — Tô com saudade de você como mulher.
Meu coração vacilou.
Mas eu mantive a postura.
— Você me tem todos os dias.
— Tenho sua sombra. Seu medo. Seu silêncio. — ele se ajoelhou aos pés da cama. — Mas não tenho mais você como antes. Não sinto mais você me querendo.
Engoli em seco.
— Você sente minha falta como... homem? — ele perguntou, finalmente soltando a frase que pesava no ar desde que entrou.
Respirei fundo.
Demorei.
Mas respondi.
— Às vezes, sim.
Ele ergueu os olhos, surpreso.



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