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Vendida ao Sheik romance Capítulo 94

Narrado por Lara

A bandeja veio antes do som dos passos.

Eu estava sentada na cama, com as pernas cruzadas e o robe amarrado sobre a camisola. Tinha acendido apenas a luminária ao lado da cama, tentando ignorar os pensamentos que rodavam minha cabeça como um furacão silencioso.

Então ouvi o clique suave da maçaneta.

Olhei para a porta.

Era ele.

Khaled entrou com a bandeja nas mãos, vestido com uma camiseta preta de algodão e uma calça de moletom escura.

Sem o peso do terno.

Sem o peso do mundo.

— O Rafiq já foi embora. — disse ele, sem a arrogância de sempre. — E eu achei que seria melhor eu mesmo trazer isso pra você.

Meu coração bateu mais rápido, mas mantive o rosto sereno.

Ele se aproximou com passos calmos, colocou a bandeja sobre a mesinha ao lado da cama.

Havia chá de camomila, fatias de pão sírio, damascos recheados e uma pequena tigela com creme de iogurte e mel.

— Está bonito. — murmurei.

— Você merece ser bem cuidada.

Ele ficou de pé, olhando para mim como se buscasse uma brecha no meu escudo.

— Tá tudo bem? — perguntou, com os olhos mergulhados nos meus.

Assenti, mas algo na minha expressão fez ele se aproximar um pouco mais.

Sentou-se ao meu lado com cuidado, como se eu fosse feita de vidro.

Passou a mão no meu rosto, e por um segundo eu quis recuar.

Mas não recuei.

Seus dedos deslizaram com carinho até meu pescoço, e depois voltaram à minha bochecha.

— Você parece distante.

— Só estou cansada. — menti. — É só isso.

Ele me observou em silêncio por alguns segundos.

Então falou baixo, quase como se estivesse se confessando:

— Posso dormir aqui hoje?

Arregalei um pouco os olhos.

Meu corpo inteiro ficou alerta.

— Por quê?

— Porque eu só quero… estar perto de você. — ele disse, tão baixo que parecia medo. — De você e do nosso filho. Não vou te tocar, eu prometo. Eu só… eu preciso sentir que você ainda está comigo.

Fiquei encarando ele por alguns segundos.

E foi ali, naquela troca silenciosa, que percebi:

Khaled não era um homem acostumado a pedir.

Com delicadeza, ele começou a fazer carinho.

Toques longos, calmos, quase hipnóticos.

Minha respiração desacelerou.

Minhas pálpebras pesaram.

— Eu sei que você ainda tá com medo. — ele murmurou, no escuro. — E eu sei que eu mereço cada pedaço dessa distância. Mas eu tô aqui. E dessa vez… eu fico.

Encostei a cabeça no travesseiro, e uma lágrima caiu antes que eu pudesse conter.

Não de dor.

Mas de cansaço.

De estar cansada de resistir.

Cansada de desejar e reprimir.

Naquela noite, ele não tocou meu corpo.

Mas tocou alguma coisa que eu estava tentando esconder.

E, pela primeira vez em muito tempo…

Eu dormi com a sensação de que talvez…

a tempestade estivesse começando a virar brisa.

Mesmo que fosse só por uma noite.

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