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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 145

Erick Rocha começou a culpar os pais em seu íntimo, questionando por que nunca o tinham colocado para aprender caligrafia quando era pequeno.

— Como é que alguém pode ser pai e mãe sem um pingo de visão? — pensou, já decidido que, ao voltar para casa, faria questão de que se autoavaliem bem.

Miguel Peixoto e Fernando Duarte levantaram o polegar, trocando olhares e desviando a atenção para Renata Senna.

— “No topo absoluto das montanhas, tudo o mais se torna pequeno aos olhos.”

— Ensino Médio, Renata Senna

A letra, fina e elegante, transmitia toda a imponência e grandiosidade do verso, como se as palavras pairassem sobre tudo ao redor.

Miguel Peixoto olhou para Renata Senna, surpreso.

Renata Senna tinha um temperamento calmo e reservado, e de jeito nenhum parecia ser alguém capaz de escrever com tamanha intensidade.

Marina escreveu:

— “Em algum momento, com o vento a favor, içaremos as velas e cruzaremos o vasto mar.”

A caligrafia de Marina era o mais puro padrão: linhas retas, traços firmes, parecia até saída de uma impressora, de tão organizada e correta.

Os outros alunos também escolheram versos grandiosos, cheios de aspirações.

— “Mesmo na dificuldade, mantenho firme o desejo de alcançar o alto.”

— “Tudo já passou; agora, os verdadeiros protagonistas são os de hoje.”

...

— Só mesmo a nossa confiança cultural! — exclamou Erick Rocha, orgulhoso, com as mãos na cintura.

As faixas e cartazes estavam prontos em quantidade suficiente.

Um a um, o grupo foi conferindo para ver se havia algum erro nas palavras.

Cada caligrafia tinha seu estilo, todas belas a seu modo, dignas de um verdadeiro artista.

Era impossível tirar os olhos.

Miguel Peixoto comentou, admirado:

— Nossa, na nossa Cidade H é só gênio escondido! Todo mundo aqui é supertalentoso!

Os demais disfarçaram um sorriso, respondendo com humildade:

— Coisa básica, coisa básica.

Mais adiante, Mariana Pedrosa, enquanto se maquiava, olhava pelo espelho para o grupo que conversava e ria, com uma expressão de desprezo no rosto.

— Por que a escola não avisou antes sobre o clube de caligrafia? Ainda deixaram eles ficarem na sala do clube hoje, só para atrapalhar a gente...

Marta Paz, que não precisava participar do ensaio em grupo, veio acompanhar Talita Santos e Mariana Pedrosa, aproveitando para tirar algumas fotos.

Ela também reclamou, aborrecida:

— Que azar, só estraga o clima.

O Prof. Nivaldo apareceu no meio da atividade para ver o andamento.

Quando viu o que Zoé Santos havia escrito, ficou visivelmente impressionado e apontou animado:

— Esta aqui vai ser pendurada logo na entrada! Que trabalho maravilhoso! Como você conseguiu fazer isso tão bem?

O professor se voltou para Zoé Santos:

— Zoé Santos, quem foi seu professor de caligrafia? Você poderia me indicar?

Zoé Santos, com uma mão no bolso, apoiada de lado na mesa, respondeu:

— Eu só escrevi do meu jeito mesmo.

— Criou um estilo próprio!! — Prof. Nivaldo exclamou, cheio de respeito. — Isso é muito talento.

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