Erick Rocha começou a culpar os pais em seu íntimo, questionando por que nunca o tinham colocado para aprender caligrafia quando era pequeno.
— Como é que alguém pode ser pai e mãe sem um pingo de visão? — pensou, já decidido que, ao voltar para casa, faria questão de que se autoavaliem bem.
Miguel Peixoto e Fernando Duarte levantaram o polegar, trocando olhares e desviando a atenção para Renata Senna.
— “No topo absoluto das montanhas, tudo o mais se torna pequeno aos olhos.”
— Ensino Médio, Renata Senna
A letra, fina e elegante, transmitia toda a imponência e grandiosidade do verso, como se as palavras pairassem sobre tudo ao redor.
Miguel Peixoto olhou para Renata Senna, surpreso.
Renata Senna tinha um temperamento calmo e reservado, e de jeito nenhum parecia ser alguém capaz de escrever com tamanha intensidade.
Marina escreveu:
— “Em algum momento, com o vento a favor, içaremos as velas e cruzaremos o vasto mar.”
A caligrafia de Marina era o mais puro padrão: linhas retas, traços firmes, parecia até saída de uma impressora, de tão organizada e correta.
Os outros alunos também escolheram versos grandiosos, cheios de aspirações.
— “Mesmo na dificuldade, mantenho firme o desejo de alcançar o alto.”
— “Tudo já passou; agora, os verdadeiros protagonistas são os de hoje.”
...
— Só mesmo a nossa confiança cultural! — exclamou Erick Rocha, orgulhoso, com as mãos na cintura.
As faixas e cartazes estavam prontos em quantidade suficiente.
Um a um, o grupo foi conferindo para ver se havia algum erro nas palavras.
Cada caligrafia tinha seu estilo, todas belas a seu modo, dignas de um verdadeiro artista.
Era impossível tirar os olhos.
Miguel Peixoto comentou, admirado:
— Nossa, na nossa Cidade H é só gênio escondido! Todo mundo aqui é supertalentoso!
Os demais disfarçaram um sorriso, respondendo com humildade:
— Coisa básica, coisa básica.
Mais adiante, Mariana Pedrosa, enquanto se maquiava, olhava pelo espelho para o grupo que conversava e ria, com uma expressão de desprezo no rosto.
— Por que a escola não avisou antes sobre o clube de caligrafia? Ainda deixaram eles ficarem na sala do clube hoje, só para atrapalhar a gente...
Marta Paz, que não precisava participar do ensaio em grupo, veio acompanhar Talita Santos e Mariana Pedrosa, aproveitando para tirar algumas fotos.
Ela também reclamou, aborrecida:
— Que azar, só estraga o clima.
O Prof. Nivaldo apareceu no meio da atividade para ver o andamento.
Quando viu o que Zoé Santos havia escrito, ficou visivelmente impressionado e apontou animado:
— Esta aqui vai ser pendurada logo na entrada! Que trabalho maravilhoso! Como você conseguiu fazer isso tão bem?
O professor se voltou para Zoé Santos:
— Zoé Santos, quem foi seu professor de caligrafia? Você poderia me indicar?
Zoé Santos, com uma mão no bolso, apoiada de lado na mesa, respondeu:
— Eu só escrevi do meu jeito mesmo.
— Criou um estilo próprio!! — Prof. Nivaldo exclamou, cheio de respeito. — Isso é muito talento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...