Mesmo Pedro Soares, que já sabia que Zoé Santos era arrogante e brilhante, jamais imaginara que ela poderia chegar a tal extremo.
Ficou tanto tempo de boca aberta que parecia incapaz de fechá-la.
Henrique Farias lançou um olhar de soslaio, frio e impassível, ao responsável:
— O problema foi criado por você. Desta vez, quem paga pela restauração do sistema é você.
O responsável ficou apavorado, pois não teria como arcar com aquilo.
— Senhor, eu...
— Não precisa se preocupar se não pode pagar agora — Henrique Farias o interrompeu, os lábios desenhando um sorriso gélido. — Vamos assinar um contrato. Você paga parcelado. Seu filho, seu neto, seu bisneto... todos continuam trabalhando de graça para mim.
Pedro Soares observou o rosto desesperado e prestes a desabar do responsável, e não conteve um leve tremor nos lábios.
Que crueldade desses capitalistas!
Seria isso uma versão maximizada da escravidão?
O pior é que Pedro Soares achava que aquele senhor seria mesmo capaz de algo tão perverso...
Agora ele compreendia por que, nos tempos antigos, um ministro agradecia ao imperador mesmo ao receber uma sentença de morte. Era porque, por não exterminarem toda sua família, havia mesmo razão para agradecer.
Ninguém mais ousava sequer respirar alto no setor central. O medo de que suas famílias tivessem de prestar serviços gratuitos por gerações se espalhava no ar.
Zoé Santos estava sentada com as pernas cruzadas, relaxada na cadeira, assistindo à cena como se fosse um espetáculo, o sorriso brincando nos lábios.
Daniel Farias já havia voltado com os elásticos de cabelo e estava de pé ao lado, indeciso sobre o gosto de Zoé Santos. Comprara de todos os tipos: preto, branco, vinho, verde-musgo, com estampa de tigre, com laços de fita...
Prendeu todos como se fossem chaves em um cordão.
Nesse momento, tirou o molho de elásticos da sacola, mostrando para Zoé Santos:
— Srta. Santos, de qual você gosta?
Zoé Santos lançou um olhar rápido, arqueou levemente as sobrancelhas e respondeu, olhando para Daniel Farias:
— Preto e vinho, obrigada.
— Não há de quê, Srta. Santos. — Daniel Farias separou os dois escolhidos e ficou com o restante na mão.
O responsável, atônito, não sabia dizer se sentia mais desespero ou choque ao ver aquilo.
Daniel Farias comprando elástico de cabelo para a “chefa ao vivo”?
Os mais espertos entenderam rápido quem eram os verdadeiros donos do baralho naquele dia.
O responsável apressou-se, abaixando a cabeça diante de Zoé Santos e se desculpando com sinceridade:
— Fui grosseiro e desrespeitoso com a senhora, peço desculpas e espero que possa me perdoar.
Zoé Santos ergueu as sobrancelhas e respondeu com generosidade:
— Não foi nada.
O responsável respirou aliviado:
— Muito obrigado por não guardar rancor, Srta. Santos.
Logo depois, ele olhou cautelosamente para Henrique Farias:
— Senhor, irei agora restaurar o sistema...
— Não precisa — disse Zoé Santos.
Ela brincava com o elástico de cabelo na mão, enquanto a outra digitava velozmente no teclado do computador.
Todos os olhares estavam fixos nela, sentada à frente da mesa de controle, relaxada, mas emanando uma força silenciosa.
O salão central permanecia escuro e silencioso, interrompido apenas pelo som das teclas e o ruído do sistema de ventilação.
Dez minutos depois.
A tecla Enter foi pressionada.
De repente, todos os computadores do núcleo central voltaram a funcionar e acenderam ao mesmo tempo.
Os membros do núcleo reagiram imediatamente, checando os sistemas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...