Henrique Farias estendeu as pernas longas e cruzadas com um desleixo estudado, o sorriso nos lábios expressando um sarcasmo cortante, sem sequer tentar disfarçar.
Os demais membros da família Farias observavam o patriarca, que lutava para conter a raiva.
Se não fossem os convidados da família Pontes presentes, o café que estava nas mãos do velho provavelmente já teria sido atirado no rosto do filho caçula.
Até os empregados ao lado já seguravam os utensílios de limpeza, prontos para agir a qualquer momento.
Mesmo em Cidade C, Maria Alice Pontes era recebida com respeito e deferência por onde passasse.
Nunca havia passado por uma humilhação dessas.
O rosto de Maria Alice Pontes estava rígido e frio, o olhar cortante fixo em Henrique Farias.
— Henrique, você quer mesmo se indispor comigo? Tem certeza?
O olhar de Henrique Farias, frio e oblíquo, carregava deboche. Sua voz era gélida:
— E se for isso mesmo?
— Você...! — Maria Alice Pontes ficou furiosa na hora.
Ela sabia muito bem: ofendê-la era ofender todo o Primeiro Distrito. Henrique tinha ideia de quantos projetos dele poderiam ser paralisados por causa disso?
A paciência de Henrique Farias já tinha se esgotado completamente.
Ele se levantou, enfiando uma das mãos no bolso da calça, e lançou um olhar de cima para baixo em todos ali.
— Já deixei tudo claro. Acho que todos já entenderam minha posição.
Henrique Farias esboçou um leve sorriso.
— Minha integridade é meu limite. Não sejam tolos, não me causem problemas, nem arrumem confusão para si mesmos. Afinal, vocês sabem as consequências.
A voz dele era calma, mas a expressão mostrava total indiferença, e o sorriso havia sumido completamente.
Aquela aura ameaçadora, de alguém verdadeiramente irritado, se espalhou de repente pela sala.
Henrique desviou o olhar, não disse mais nada e saiu.
Vovô Djalma, com os olhos envelhecidos mas atentos, os estreitou ao encarar as costas de Henrique Farias. Bateu com força no braço do sofá.
— Quero ver até onde ele aguenta bancar o teimoso!
Em Cidade Capital, antes de qualquer aliança entre famílias, sempre surgia essa história do "tem que ser ela, senão nada feito".
Mas ninguém nunca conseguira ir até o fim contra a vontade da família. Todos, sem exceção, acabavam cedendo e voltando para aceitar o casamento arranjado.
Vovô Djalma olhou então para o pai e a mãe de Maria Alice, e também para ela, com um ar carinhoso.
— Maria Alice é a que mais aposto entre todos. Minha opinião não vai mudar. Só precisamos de tempo. Não sei se Maria Alice teria paciência para esperar esse meu filho que não sabe o que faz.
O pai de Maria Alice logo concordou:
— Claro, estamos com o senhor, Sr. Djalma.
Maria Alice Pontes não esboçou reação, o semblante fechado.
Elisa Farias sentou-se ao lado de Maria Alice e tocou sua mão.
— Maria Alice, aquela Zoé Santos não tem espaço no nosso meio. Não pertence ao nosso mundo. Ao lado do Henrique deve estar alguém à altura dele, não alguém de origem humilde e sem visão de mundo. Você entende isso.
Maria Alice Pontes ergueu o queixo com orgulho e respondeu em tom baixo:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...