Margarida olhou para Teresa com convicção, a voz firme ao dizer o que pensava:
— Teresa, nessa história, você não é a culpada. Você é a maior vítima. Não pode simplesmente sair daqui de cabeça baixa como se tivesse feito algo errado. Agora é a hora de exigir explicações.
Para Margarida, era inconcebível como Lorenzo, incapaz de proteger seu antigo amor, descontava por dois anos a própria frustração numa mulher inocente como Teresa.
E, mesmo casado, ainda se permitia buscar Nanda, tentando reacender o romance do passado. Uma afronta que Teresa, com seu coração generoso, talvez até fosse capaz de engolir. Mas Margarida, nunca.
Jogando fora o lenço de papel, ela tomou Teresa pela mão e seguiu decidida até o quarto do hospital onde Lorenzo estava com Nanda pouco antes. Assim que bateram, para surpresa das duas, quem abriu a porta foi a própria Nanda.
Lorenzo não estava ali.
Ao ver Margarida e Teresa à porta, Nanda se mostrou educada, com a voz doce:
— Srta. Margarida, Srta. Teresa, que bom que vieram. Há pouco acabei me assustando e meu coração ficou meio descompassado. Por isso, o Lorenzo saiu para procurar um médico para mim. Por favor, entrem, fiquem à vontade.
Enquanto falava, Nanda tentou servir chá para elas. De perto, parecia ainda mais frágil, o rosto marcado pela magreza e o queixo fino. Deixá-la servir seria quase um ato de crueldade.
Margarida apenas acenou, dispensando.
— Não estamos com sede. Já que o Lorenzo não está, voltamos depois. Viemos para falar com ele.
Nanda, no entanto, não deixou que se afastassem.

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