Margarida nunca foi como Teresa, criada em meio ao luxo e cercada por uma vida perfeita. Crescida num ambiente complicado, ela logo se acostumou a enxergar as encenações e jogos daqueles ao redor.
Muito antes de Leonor aparecer, Augusto já era visto como o príncipe encantado entre as jovens da alta sociedade de Santarino. Com seu jeito gentil, atraía mais fãs do que podia contar.
Mas Margarida, enteada da família Carvalho, sabia exatamente seu lugar. Apesar do desprezo velado que sofria de algumas moças por conta de sua origem, todas entendiam bem que quem estava mais perto da fonte bebia primeiro.
Naquela situação, ela se tornou um alvo. Diariamente, era bombardeada por palavras afiadas, cheias de malícia e sarcasmo, transformando-se, aos poucos, na presa perfeita do grupo.
No começo, Margarida ainda buscava confronto. Rebatia, questionava, não deixava barato. Só que sempre que reagia, Augusto vinha até ela. E, de forma delicada, porém firme, pedia:
— Procure se comportar.
Com o tempo, Margarida foi engolindo as mágoas, aprendendo a controlar os próprios impulsos.
Passou a não responder, não expor as intenções ocultas das pessoas, tentando agir com mais paciência e evitar o confronto direto. Afinal, não queria fechar todas as portas, mesmo sabendo que aquilo só incentivava os outros a irem além.
Só que agora, aquela Margarida tolerante já não existia mais.



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