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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 13

— Sim, estou te enfrentando por causa da Margarida. E daí? — Disparou Vicente, a voz cortante ao responder aos gritos de Leonor.

Ele não fez questão alguma de esconder. Ele estava fazendo aquilo em defesa de Margarida, e deixava claro que ninguém o impediria.

— Leonor, você foi até a casa da família Carvalho só para criar problema e montar uma armadilha para Margarida. Aposto que aproveitou demais, não é?

Ao ouvir isso, Leonor ficou paralisada. Ela tinha achado que, ao desvendar o suposto favoritismo de Vicente pela Margarida, teria um trunfo na mão. Mas agora, ela se sentia igual a uma galinha prestes a ter o pescoço torcido, tentando a todo custo se justificar:

— Eu... Eu não armei nada. O meu sapato de cristal... Quem pegou foi o motorista, por engano. Eu... Eu nem sabia...

— Chega. Nem todo mundo é tão burro quanto você. — Cortou Vicente, num tom frio que deixava transparecer todo o desprezo. — Você quis esfregar na cara da Margarida a diferença de status entre vocês usando um par de sapatos. Então agora vou usar este dossiê para mostrar que você não é nada. Se não quiser acabar presa, saia hoje mesmo do Grupo Almeida ou vá até a capela ancestral receber o castigo de sempre. Senão, vou continuar agindo contra você. E, se o pessoal da família Carvalho se meter na história, não tenho problema algum em lidar com eles também.

Leonor começou a tremer, sentindo um pânico lhe gelar o corpo. Sair do Grupo Almeida seria um tremendo vexame, já que ela havia feito um grande alarde ao entrar e, se fosse expulsa, viraria piada no mundo dos negócios. Por outro lado, o tal castigo da família Almeida envolvia chicotadas cruéis, dadas com couro molhado. Ela não queria nem pensar naquela hipótese!

"Vicente só pode estar maluco...", pensou ela, as pernas bambas.

— Augusto, me ajuda! — Implorou ela, num impulso. Mesmo com Vicente deixando claro que se a família Carvalho se intrometesse também pagaria o preço, Leonor entrou em desespero e só conseguiu pedir socorro.

Augusto, que até então observava em silêncio, encarou Vicente por alguns segundos antes de falar:

— Sr. Vicente, a Margarida é da família Carvalho. Eu entendo que você tem uma dívida de gratidão com ela, mas precisava mesmo ir tão longe contra a Leonor?

— Ir tão longe? — Vicente soltou um riso seco. — Eu só estou expondo tudo o que a Leonor fez. Isso não é perseguição. Perseguição foi o que ela fez ontem, acusando a Margarida sem provas, enquanto você endossava tudo só para agradar sua noiva. Pelo visto, passar muito tempo ao lado da Leonor também está afetando seu bom senso. A Margarida nunca foi reconhecida pela família Carvalho, muito menos por você. Então me diz de onde saiu essa ideia de que ela é parte da família Carvalho?

Essas últimas palavras foram como um tapa. Augusto cerrou os punhos, sentindo uma irritação lhe subir a espinha, feito um lobo que avista outro alfa e percebia sua própria sombra querendo se impor.

— Sr. Vicente, a Margarida foi morar na nossa casa com a mãe dela. Mesmo que não seja oficialmente bem-vinda, ainda faz parte, sim, da família Carvalho. E sobre o que aconteceu ontem... Eu deixei você levar ela, então creio que sua dívida com ela foi paga. Por isso, peço que não se meta mais nos assuntos da Margarida daqui em diante.

Ele ajeitou os óculos dourados, disfarçando a tensão que surgia em seu olhar. Augusto estava acostumado a ter Margarida nas mãos e se incomodava profundamente em vê-la se aproximar de outra pessoa.

— A Margarida ficou abalada ontem e tomou decisões no calor do momento. Mas estou certo de que, mais calma, ela vai discernir quem realmente se importa. Quanto à Leonor, sendo minha noiva de alianças, não posso simplesmente ignorar o que está acontecendo com ela. Aqueles 3,2 milhões que desviou... Vamos restituir ainda hoje. Sr. Vicente, não vale a pena se vingar da Leonor por causa da Margarida. Você acha que está ajudando, mas só vai prejudicar a própria Margarida. E ela não vai gostar disso!

Ao encerrar o discurso, ele segurou Leonor pela mão, já se preparando para sair dali com um ar de superioridade.

Leonor, por sua vez, ainda agarrava um fio de esperança e se apoiava em Augusto como se ele fosse sua tábua de salvação.

Vicente, por outro lado, permaneceu em silêncio, sem demonstrar qualquer reação. Porém, assim que Augusto chegou à porta, a voz fria dele voltou a soar:

— Vejo que está bem confiante.

Augusto parou, sem se virar, e respondeu:

— Conheço Margarida melhor do que você imagina.

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