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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 14

Lá fora, o vento rugia feito um animal feroz, quase como se o sol, tão radiante até há pouco, tivesse sido tragado por nuvens pesadas prestes a desabar em tempestade.

Dentro da suíte do hotel, Margarida só despertou quando o estômago reclamou com tanta força que ficou impossível continuar ignorando.

Na noite anterior, Teresa praticamente não a deixara dormir. Margarida ainda sentia ecoar na cabeça as palavras da amiga:

— Margarida, estou falando sério. O Vicente é o tipo de cara que pode te dar a volta por cima! O Augusto anda todo cheio de si só porque vai se casar com a herdeira da família Almeida, né? Pois, nada impede que você dê o troco e fique com o presidente do Grupo Almeida. Aí sim ele ia ver quem é você de verdade! Como se não bastasse, vou ser sincera, eu e o Lorenzo temos nossos perrengues, mas não dá para negar que o Vicente é cem por cento melhor que qualquer um. Se o Lorenzo é amigo dele, deve até agradecer aos céus por isso. E já pensou você como esposa do Vicente? Ia enlouquecer a Luísa de ciúme para sempre! Mas, claro, não vou te obrigar a nada... Margarida, por que você ainda não ligou para o Vicente? Já está tarde, viu?

Teresa só parou de tagarelar porque precisou resolver algo urgente na galeria de arte. Antes de sair, deixou o celular de Margarida carregado e deu a entender que ela devia ligar para o Vicente quanto antes.

Mesmo assim, Margarida continuava firme na própria posição. Ele estava apenas estendendo a mão por boa vontade, sem obrigação. E ela não pretendia retribuir esse favor de outro jeito.

Além disso, pedir serviço de quarto usando o telefone do hotel acabaria no nome de Vicente. Não se sentia bem gastando o dinheiro dele. Com o estômago vazio reclamando sem parar, decidiu descer até o saguão para comer algo por perto.

E, para sua surpresa, o remédio que o médico particular havia fornecido na noite anterior parecia ter funcionado. O tornozelo quase não doía. Se andasse devagar, não incomodava tanto.

Caminhando com cuidado pelo corredor, tentou manter o pensamento positivo, encarando aquilo como uma espécie de fisioterapia. Só que seu ânimo se estilhaçou de repente. Ela viu, bem na sua frente, quem não queria ver de jeito nenhum.

Leonor havia chegado ao Hotel Luar conforme planejado, acompanhada de várias amigas do mesmo círculo social. Eram mulheres que a bajulavam o tempo todo, deixando Leonor ainda mais satisfeita.

Nenhum dos dois lados esperava esse encontro tão inoportuno.

— Margarida? — Exclamou Leonor, avançando alguns passos e lançando um olhar furioso. — Então é aqui que você anda escondida? Sumiu por um dia inteiro e escolheu justamente o Hotel Luar para ficar!

Margarida franziu a testa, querendo ignorar Leonor e seguir seu caminho. Mas, antes que pudesse se afastar, uma das acompanhantes, uma ruiva de olhar maldoso, soltou a voz:

— Leonor, é ela, não é? Aquela que entrou na família Carvalho como enteada, por causa da madrasta?

— Olha só quem apareceu... Quem diria que fosse tão esperta a ponto de ficar tanto tempo na casa dos outros!

— Bem isso. Sem umas táticas, não teria conseguido se grudar na família Carvalho!

— Dá para ver pela carinha e pelo nariz empinado que nasceu para dar o bote nos homens!

— Isso mesmo. Deve ter tentado conquistar o Augusto para dar o golpe do baú, só pode.

As amigas de Leonor falavam todas ao mesmo tempo, cada uma soltando um comentário mais venenoso que o outro. Margarida cerrou os punhos, tentando não reagir. A ruiva, porém, insistiu em provocá-la:

— Claro que essa enteadinha queria fisgar o Augusto. Mas o Augusto é namorado da nossa Leonor! Por mais que essa aí corra atrás, nunca vai superar a Leonor, que é a única mulher do Augusto!

Essas palavras repetitivas, cheias de malícia e zombaria, soavam como farpas de abutres, prontas para despedaçar Margarida a qualquer momento.

Ela parou de repente, estática no corredor. Fazia muito tempo que convivida com fofocas e comentários cruéis, desde que havia entrado na família Carvalho aos oito anos. No começo, ficava destruída. Depois, foi se acostumando. Aprendeu a encarar esses ataques como uma chuva rala, incapaz de molhar de verdade.

Mas ouvir aquelas pessoas usando o nome dela para enaltecer o grande romance entre Augusto e Leonor era demais. Num estalo, ela se virou para a moça de cabelos ruivos, exibindo uma expressão apática e disparando:

— Você tem mesmo certeza de que a Leonor é a única mulher do Augusto?

O corredor ficou em silêncio.

A ruiva, que até então elogiava Leonor, emudeceu de surpresa.

Leonor, por sua vez, perdeu a cor num instante.

— Margarida! Estou avisando para você não sair por aí falando bobagem. — Gritou Leonor, com o rosto distorcido pela raiva. — Gente como você não merece nem o olhar do Augusto!

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