Com um sorriso malicioso, Marina perguntou:
— Leonor, você chegou a saber alguma coisa sobre o motorista que te atropelou?
— Soube, sim, ele é uma pessoa comum. — Leonor deu de ombros com indiferença. — Naquele dia estava dirigindo com pressa porque ia buscar alguém, acabou pegando muita velocidade e não deu tempo de frear. Quando percebeu a encrenca que tinha feito depois do meu acidente, ficou apavorado e nem tem coragem de aparecer na minha frente. É do tipo que a gente consegue dobrar fácil.
— Sendo assim, não podemos desperdiçar essa boa oportunidade. — Marina pegou o celular e continuou. — Você vai procurar esse motorista e dizer que estamos dispostas a dar uma chance para ele se redimir.
Com aquela oportunidade, talvez ela também conseguisse finalmente manipular Margarida.
...
A tempestade da noite foi diminuindo aos poucos e no dia seguinte o sol voltou a brilhar radiante.
No ateliê, Margarida fazia uma pausa no trabalho para comer o sanduíche de bacon que Laura tinha subido especialmente para ela.
Vicente havia pedido isso, porque se preocupava que Margarida, sempre tão concentrada, esquecesse de se alimentar direito. Como o trabalho de escultura exigia muito fisicamente e ela digeria rápido, ele não queria que ela passasse fome entre as refeições.

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