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A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 134

Atena rangeu os dentes, os punhos cerrados com tanta força que os nós dos dedos empalideceram. Nunca sentira tamanho ímpeto assassino. O ódio era tão intenso que ameaçava devorá-la por completo.

Na sua mente restava apenas um pensamento: vingar Macy.

“Vou fazer quem feriu a Macy pagar mil vezes”, jurou Atena em silêncio.

Macy sacudiu a cabeça, apavorada, engolindo o choro enquanto tentava articular as palavras. “N-Não…”

Ela tremia de medo, temendo que Atena não conseguisse enfrentar aquela pessoa.

“Não tenha medo, Macy”, disse Atena com firmeza, segurando-lhe os ombros, os olhos rubros de emoção. “Agora eu sei me proteger, e juro que vou vingar você. Diga. Quem fez isso?”

Embora uma figura lampejasse na mente de Atena, ela queria ouvir a confirmação da própria Macy.

Diante do olhar resoluto de Atena, Macy hesitou; as palavras tremeram em seus lábios, mas não saíram. Por dentro, ela se perguntava, ansiosa: “Será que a Srta. Monson consegue mesmo se proteger?”

Percebendo a inquietação no olhar de Macy, Atena a tranquilizou: “Como futura esposa do Ray, ninguém vai ousar me tocar.”

O coração de Ray se encheu de um calor meloso ao ouvir aquelas palavras.

Postado atrás de Atena como um escudo inabalável, Ray deu a Macy um aceno resoluto. “Comigo aqui”, declarou, “ninguém vai machucá-la.”

Olhando para os dois, Macy sorriu entre lágrimas. “Graças aos céus”, pensou, tomada de alívio. “Por fim, alguém pode proteger a Srta. Monson.”

Animada pelas palavras de Atena, Macy assentiu, devagar e com hesitação. Mas, sem voz, só conseguia tremer de frustração, com gotículas de suor ansioso salpicando a testa.

Atena lhe entregou uma caneta e uma folha, dizendo com doçura: “Você já aprendeu a escrever. Se houver algo que não consiga, faça só um círculo, está bem?”

Lágrimas escorreram pelo rosto de Macy quando ela pegou a caneta. Os dedos, porém, tremiam. Ela estremeceu de dor, e a caneta escorregou, tilintando no chão. A mão já não tinha forças.

Vendo isso, Atena entendeu e falou com carinho: “Não há pressa. Foque em melhorar primeiro.”

“Agora que encontramos a Macy, a verdade não pode estar longe”, pensou Atena.

Os tendões de Macy haviam sido cortados, mas Atena estava confiante de que poderia recuperar a mobilidade dela. Disse, suave: “Eu vou curar você. Vamos esperar juntas a verdade vir à tona. Por ora, fique aqui e concentre-se na sua recuperação. Ainda não posso levar você para a propriedade do duque.”

A propriedade do duque era uma fera devoradora e, agora, Macy não tinha como se proteger. Atena sabia que não conseguiria vigiá-la a cada instante, por mais que quisesse.

Depois de muito pensar, Atena decidiu pedir que Ray cuidasse de Macy. Mas se perguntou: “Será que Ray vai aceitar?”

Atena olhou para Ray, que assentiu de leve e disse: “Não se preocupe, Atheny. Vou garantir que Macy seja bem cuidada.”

As lágrimas cintilaram nos olhos de Atena, que lançou a Ray um olhar agradecido. Ele pousou a mão em seu ombro com delicadeza, e os dois compartilharam um sorriso silencioso, pleno de entendimento.

Macy observou o carinho entre eles e esboçou um sorrisinho aliviado.

“Descanse agora e não saia correndo por aí de novo, está bem?”, disse Atena com ternura. “Eu virei ver você todos os dias.”

Macy fez que sim, fraquinha, e se aninhou obediente na cama.

Assim que Atena e Ray saíram, as criadas entraram para atender Macy.

Ao chegarem ao vestíbulo, Atena franziu a testa e perguntou a Ray: “Não conseguimos encontrar os traficantes que venderam a Macy?”

Ray balançou a cabeça, visivelmente constrangido. “As famílias aristocráticas agem com sigilo absoluto. Nunca deixam rastros. Ninguém sabe por quantas mãos ela passou.

“Provavelmente, a Macy foi vendida para fora da cidade no começo. Quem diria que, depois de tantas voltas, acabaria voltando para cá?”

As palavras fizeram o coração de Atena doer ainda mais. Ela levou a mão trêmula à boca; as lágrimas correram pelo rosto quando desabou em soluços silenciosos.

“O que foi, Atheny?” Ray se apavorou ao vê-la assim. Acolheu-a com cuidado nos braços. Ela desabou contra o peito dele, soluçando sem controle.

Ver Atena tão despedaçada fazia o peito de Ray latejar de dor. Ele murmurou, com doçura: “Ei, não chora. Se algo estiver te atormentando, me conta, tá bem?”

Ray sentiu uma pontada no peito. A menina que fora inocente e despreocupada tinha sido forçada a se tornar essa mulher endurecida.

O coração de Ray doía por Atena. Ele lhe daria o melhor, tudo, sem condições. Se Atena quisesse subir, Ray a ajudaria a subir ainda mais alto.

Ele assentiu, firme, com lágrimas cintilando nos olhos sorridentes ao encarar Atena. “Sim, Atheny. Eu vou me casar com você.”

A verdade é que Ray sempre quisera se casar com Atena. O desejo estava ali, enterrado fundo no peito, mas ele nunca o havia dito em voz alta.

O sonho enfim se realizou, ainda que não do jeito que imaginara. Mas Ray jurou que nunca mais soltaria a mão de Atena.

A carruagem parou diante da propriedade do duque. Ray segurou a mão de Atena com relutância, sem querer soltá-la. “Amanhã”, disse baixinho, “eu venho fazer o pedido oficial.”

“Certo, vou estar esperando”, respondeu Atena, suave, parada à entrada enquanto observava Ray partir.

A chuva cessara e o vento se aquietara, mas, de dentro da carruagem, Ray franziu a testa, preocupado. “A noite está fria. Entre, Atena.”

Atena não hesitou mais. Ofereceu-lhe um sorriso delicado, então se virou e entrou na propriedade.

O mordomo veio apressado assim que a viu regressar. “Lady Atena”, disse, aflito, “encontramos Matthew. Ele voltou coberto de lama e desmaiou de fome. A senhora quer ir vê-lo?”

Atena não diminuiu o passo. “Eu não sou médica. Minha presença vai, por acaso, acordá-lo?”

Ao ouvir isso, o mordomo ficou sem jeito por um instante e resmungou: “Mas Lady Willow já foi. Achei que a senhora também quisesse ir.”

Trina lançou um olhar atravessado ao mordomo e revirou os olhos. “Você está viajando. Matthew nunca tem uma palavra amável para Lady Atena. Por que ela iria querer ir até ele?”

O mordomo estacou, franzindo a testa enquanto pensava. “Bem, faz sentido”, admitiu consigo mesmo. Estava sendo intrometido.

De volta ao quarto, Atena desabou na cama, exausta até os ossos.

Naquela noite, o terror a tomou em sonhos. No pesadelo, Atena via a boca de Macy cheia de sangue, enquanto Willow empunhava metade de uma língua decepada e abria um sorriso hediondo.

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