Atena rangeu os dentes, os punhos cerrados com tanta força que os nós dos dedos empalideceram. Nunca sentira tamanho ímpeto assassino. O ódio era tão intenso que ameaçava devorá-la por completo.
Na sua mente restava apenas um pensamento: vingar Macy.
“Vou fazer quem feriu a Macy pagar mil vezes”, jurou Atena em silêncio.
Macy sacudiu a cabeça, apavorada, engolindo o choro enquanto tentava articular as palavras. “N-Não…”
Ela tremia de medo, temendo que Atena não conseguisse enfrentar aquela pessoa.
“Não tenha medo, Macy”, disse Atena com firmeza, segurando-lhe os ombros, os olhos rubros de emoção. “Agora eu sei me proteger, e juro que vou vingar você. Diga. Quem fez isso?”
Embora uma figura lampejasse na mente de Atena, ela queria ouvir a confirmação da própria Macy.
Diante do olhar resoluto de Atena, Macy hesitou; as palavras tremeram em seus lábios, mas não saíram. Por dentro, ela se perguntava, ansiosa: “Será que a Srta. Monson consegue mesmo se proteger?”
Percebendo a inquietação no olhar de Macy, Atena a tranquilizou: “Como futura esposa do Ray, ninguém vai ousar me tocar.”
O coração de Ray se encheu de um calor meloso ao ouvir aquelas palavras.
Postado atrás de Atena como um escudo inabalável, Ray deu a Macy um aceno resoluto. “Comigo aqui”, declarou, “ninguém vai machucá-la.”
Olhando para os dois, Macy sorriu entre lágrimas. “Graças aos céus”, pensou, tomada de alívio. “Por fim, alguém pode proteger a Srta. Monson.”
Animada pelas palavras de Atena, Macy assentiu, devagar e com hesitação. Mas, sem voz, só conseguia tremer de frustração, com gotículas de suor ansioso salpicando a testa.
Atena lhe entregou uma caneta e uma folha, dizendo com doçura: “Você já aprendeu a escrever. Se houver algo que não consiga, faça só um círculo, está bem?”
Lágrimas escorreram pelo rosto de Macy quando ela pegou a caneta. Os dedos, porém, tremiam. Ela estremeceu de dor, e a caneta escorregou, tilintando no chão. A mão já não tinha forças.
Vendo isso, Atena entendeu e falou com carinho: “Não há pressa. Foque em melhorar primeiro.”
“Agora que encontramos a Macy, a verdade não pode estar longe”, pensou Atena.
Os tendões de Macy haviam sido cortados, mas Atena estava confiante de que poderia recuperar a mobilidade dela. Disse, suave: “Eu vou curar você. Vamos esperar juntas a verdade vir à tona. Por ora, fique aqui e concentre-se na sua recuperação. Ainda não posso levar você para a propriedade do duque.”
A propriedade do duque era uma fera devoradora e, agora, Macy não tinha como se proteger. Atena sabia que não conseguiria vigiá-la a cada instante, por mais que quisesse.
Depois de muito pensar, Atena decidiu pedir que Ray cuidasse de Macy. Mas se perguntou: “Será que Ray vai aceitar?”
Atena olhou para Ray, que assentiu de leve e disse: “Não se preocupe, Atheny. Vou garantir que Macy seja bem cuidada.”
As lágrimas cintilaram nos olhos de Atena, que lançou a Ray um olhar agradecido. Ele pousou a mão em seu ombro com delicadeza, e os dois compartilharam um sorriso silencioso, pleno de entendimento.
Macy observou o carinho entre eles e esboçou um sorrisinho aliviado.
“Descanse agora e não saia correndo por aí de novo, está bem?”, disse Atena com ternura. “Eu virei ver você todos os dias.”
Macy fez que sim, fraquinha, e se aninhou obediente na cama.
Assim que Atena e Ray saíram, as criadas entraram para atender Macy.
Ao chegarem ao vestíbulo, Atena franziu a testa e perguntou a Ray: “Não conseguimos encontrar os traficantes que venderam a Macy?”
Ray balançou a cabeça, visivelmente constrangido. “As famílias aristocráticas agem com sigilo absoluto. Nunca deixam rastros. Ninguém sabe por quantas mãos ela passou.
“Provavelmente, a Macy foi vendida para fora da cidade no começo. Quem diria que, depois de tantas voltas, acabaria voltando para cá?”
As palavras fizeram o coração de Atena doer ainda mais. Ela levou a mão trêmula à boca; as lágrimas correram pelo rosto quando desabou em soluços silenciosos.
“O que foi, Atheny?” Ray se apavorou ao vê-la assim. Acolheu-a com cuidado nos braços. Ela desabou contra o peito dele, soluçando sem controle.
Ver Atena tão despedaçada fazia o peito de Ray latejar de dor. Ele murmurou, com doçura: “Ei, não chora. Se algo estiver te atormentando, me conta, tá bem?”

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