Até Cristal percebeu que eu estava ansiosa. Eu olhava para a porta a todo instante, enquanto estava à mesa de jantar com ela.
— Está esperando o meu pai?
Eu a olhei assustada.
— Eu?!
Cristal riu gostoso e respondeu:
— Você é apaixonada pelo meu pai, eu sei! Por que não namora com ele? Prefiro você do que a doutora Lívia!
Eu fiquei sem jeito, inquieta, mas não quis esticar aquele assunto com uma criança! Seria indecente, uma vez que eu fazia parte de um plano para coagir o seu pai a se casar contra a vontade.
Assim que Alex chegou, eu já lhe lancei um sorriso malicioso, o que o deixou intrigado.
Eu subi as escadas com Cristal e ele ficou me olhando.
Giorgia era metida! Chegava da cozinha e flagrou a minha ação.
— Ela está estranha, não?
Alex ficou confuso.
— Ah é, e por que você diz isso?
Giorgia se balançou antes de responder:
— A malvada esteve aqui!
— Quem?!
— A mãe dela!
— A mãe dela?
— É, a infeliz bateu na menina!
— Bateu?
— Ela cobriu com maquiagem para Cristal não perceber, mas eu vi, logo que a outra se foi! Eu não toquei no assunto para não lhe constranger!
Alex ficou intrigado, pensativo.
— Vou falar com ela hoje! Vou tirar essa história a limpo!— ele decidiu.
Giorgia até gostou e sorriu satisfeita.
Quando eu desci, ela me avisou:
— O patrão quer falar com você! Ele comeu pouco, parecia ansioso!
— Pode deixar, Giorgia, vou lhe evitar, vou fingir que esqueci o seu recado!— eu menti, claro
— Não, menina, parece que é importante! Vai lá!
Eu olhei atravessado. Giorgia estava estranha! Ela me queria longe do Alex, e então por que queria tanto que eu fosse falar com ele?
Eu concordei animada. Tudo estava propício para o meu plano!
Quando eu subi as escadas para falar com Alex, Giorgia ficou embaixo, torcendo por mim. Eu não entendi nada! Eu olhei para trás num certo momento e sorri para ela.
Enfim, tinha que ser naquele dia! Eu respirei fundo e bati na porta.
Eu tive a impressão de que Alex levou tanto tempo para abrir.
A porta se abriu e aquele homem grande, lindo e sedutor estava na minha frente, vestindo um roupão. Desta vez estava amarrado na frente.
— Entre!
Eu obedeci. Já ficava à vontade naquele quarto.
Alex trancou a porta e voltou me encarando misterioso. Ele chegou muito perto e tocou o meu rosto.
— Ai!– eu fiz uma careta.
Ele se assustou.
— Então é verdade! Ela te bateu!
— Não!— Eu tentei negar.
— Por que ela fez isso?— ele quis saber.
Eu baixei a cabeça e segurei o choro.
Alex ergueu o meu queixo e procurou os meus lábios. Eu respirava ofegante. Eu pensava que daquela noite não podia passar.

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