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A BABÁ e o TESTAMENTO da ESPOSA VIVA: A queda do CEO romance Eu não tenho uma casa

— Tem dois dias para sair da minha casa!

A porta ainda estava entreaberta quando o senhorio falou as palavras que cortaram minha vida ao meio. Não houve discussão, súplica ou chance de defesa. Apenas um decreto duro, definitivo e selado com a frieza de quem nunca se importou com nada além do dinheiro. Eu estava chorando, mas ele nem sequer hesitou. O aluguel estava atrasado havia seis meses e, embora nada daquilo fosse realmente minha culpa, o mundo não costuma ter misericórdia de quem não pode pagar. Uma verdade dura que poucas pessoas gostam de ouvir.

Quando o senhorio virou as costas, levou embaixo do braço minha televisão. A única coisa que eu ainda possuía.

Nos últimos meses, meus pertences foram desaparecendo um a um, cada atraso convertido em resgate. Agora, tudo o que restava naquele apartamento onde vivi desde os dezoito anos era uma cama velha e o celular que eu apertava contra o peito como se pudesse me salvar de alguma coisa.

Tentei chamá-lo de volta, protestar, dizer qualquer frase que me parecesse digna, mas nada saiu. E mesmo que saísse, ninguém escutaria.

Sentei-me no chão frio, com o corpo tremendo, e comecei a buscar vagas de emprego. Não importava o que fosse. Quando se está à beira do abismo, qualquer caminho parece aceitável, até os que você nunca imaginou percorrer.

Foi quando li em voz baixa.

— Babá?

Eu havia pensado em faxina, recepção, vendas. Algo prático e previsível. Nunca em ser babá. Era completamente distante do que eu sabia fazer. Eu nunca tinha cuidado de uma criança antes. Mesmo assim, cliquei e enviei o meu currículo. Três páginas de formações diversas. Sempre fui viciada em estudar. Arte, literatura, culinária. Coisas que, de certa forma, seriam convenientes para se cuidar de uma criança, eu acho.

Meu estômago roncou. Já estava há mais de um dia sem comer nada, apenas bebendo água da torneira, porque nem água mineral eu poderia comprar. Saí de casa para esfriar a cabeça e buscar respostas ou qualquer resquício de esperança.

Abriguei a dor em uma lembrança, algo que sempre foi a minha verdadeira paixão, a dança. O balé clássico foi meu primeiro amor e também o primeiro a me rejeitar. Lembro do dia em que ouvi, após um teste:

— Moça, você é gorda. Como alguém vai se emocionar com uma bailarina como você? Só faria alguém chorar de rir.

A lembrança veio como um tapa. Havia doído muito na hora, mas depois, parada diante do espelho, cheguei a uma conclusão que me quebrou ainda mais. Ele estava certo. Eu era baixinha, tinha o corpo cheio de curvas que não serviam para nada além de lutar contra a gravidade.

Peguei o celular apenas para olhar a hora, mas acabei me surpreendendo com uma notificação que brilhava na tela.

Prezada Serena Bittencourt,

Após análise do seu perfil, gostaríamos de convidá-la para uma entrevista referente à posição de babá.

Eu não tenho uma casa 1

Eu não tenho uma casa 2

Eu não tenho uma casa 3

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