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A BABÁ e o TESTAMENTO da ESPOSA VIVA: A queda do CEO romance Capítulo 5

— O senhor Savoia à espera para jantar.

Foi a frase de uma senhora de meia idade que quebrou a doçura de um dia inteiro com Clara.

Ela não era uma criança comum, acho que por isso Daniel falou sobre a importância de ter uma mulher forte ao lado da filha.

Clara era sensível e tinha uma inteligência afiada e isso me deixava encantada.

Ergui os olhos e falei sorrindo, ainda envolta pela doçura de Clara.

— Minha princesa e eu já descemos.

Eu pretendia arrumar os cabelos da menina e levá-la para lavar as mãos, mas o que ouvi me fez estremecer.

— Não! O senhor Savoia disse que apenas você e ele comeriam no deck esta noite.

Engoli a saliva e meus olhos repousaram em Clara. Não queria que ela imaginasse que eu estava traindo sua confiança logo em nosso primeiro dia juntas.

Ela sorriu para mim e garantiu, com aquele jeito único e seguro.

— Pode ir, não se preocupe. Vou escovar os dentes e já vou para a cama. Quero ver minha mamãe hoje.

Quis pedir para que Clara parasse de falar aquelas coisas, mas não tive coragem.

O olhar da senhora idosa permanecia sobre as minhas costas como uma cobrança.

Ignorei. Eu estava ali para ser a babá de Clara, e não iria deixá-la se sentir trocada.

Ajudei com a higiene, a roupa de dormir e, quando a cobri, depositei um beijo em sua testa, como a minha mãe fazia comigo.

— Boa noite, alteza.

Ela abraçou o meu pescoço com as mãozinhas pequenas e me puxou para mais perto.

— Boa noite. Eu amei que você vai ficar comigo para sempre, Serena.

Acariciei os cachos dourados que caíam sobre o travesseiro branquinho e me despedi com a verdade.

— Também estou muito feliz por poder ser sua amiga.

Saí do quarto e fechei a porta devagar. Só então dei de cara com o rosto rechonchudo da senhora me encarando com desdém.

— Não deve chamar a senhorita Savoia por nomes infantilizados. É ridículo.

Ergui as sobrancelhas, sem acreditar no que estava ouvindo, e deixei evidente a minha confusão.

— Ela é uma criança, não é? Então eu não a infantilizo. Ela é infantil.

O ódio subiu pela face cansada da senhora.

— Coloquei a roupa que deve usar sobre a sua cama. Não espere que eu continue te servindo como se fosse algo nesta casa. Sou a governanta, não sua criada.

Achei ter entendido o problema. Sabia que egos são frágeis, então abaixei a cabeça e tentei trazer conforto para aquela mulher.

— Me desculpe. Acho que não fomos apresentadas. Eu me chamo Serena e comecei hoje com a Clara. Qual o seu nome?

— Claudete. E não pense que me engana com essa cara de besta. Conheço bem o seu tipo, e nem imagina como vai quebrar a cara. Pode até conseguir o que quer… e isso vai ser tão engraçado.

Ela saiu rindo como se só ela tivesse ouvido uma piada esplêndida.

Naquele momento, eu achava que eu era a piada. Hoje sei que não.

Era o próprio Daniel e o que aquela mulher tramava por baixo do pano da confiança que havia recebido pelos vários anos trabalhando na mansão Savoia.

Fui para o meu quarto e, no caminho, trombei com outro funcionário. O impacto foi tão grande que as toalhas na mão do rapaz ficaram espalhadas pelo corredor.

— Ai, meu Deus! Me desculpa, por favor, me perdoa!

— Ei, calma. Está tudo bem. Você se machucou?

Chequei rapidamente. Nada doía mais do que antes, então eu estava bem.

— Não. Eu só estou perdida. Não consigo achar o meu quarto… é o meu primeiro dia aqui.

— Ah, você é a babá?

— Sou.

— Já conheceu as outras?

— Outras? Que outras?

Não consegui imaginar de quem ele falava. A família Savoia só tinha uma herdeira, todos os sites diziam o mesmo.

— As outras babás! Você é a chefe delas, mas quem cuida da senhorita Savoia são elas.

— Chefe? Não. Acho que está enganado. Eu não sou chefe de ninguém.

Falei confusa. Talvez Lisa, a secretária, tivesse dito algo sobre isso.

Eu jamais saberia.

Minha mente estava ocupada demais pensando nos lábios do meu chefe.

Que vergonha.

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