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A BABÁ e o TESTAMENTO da ESPOSA VIVA: A queda do CEO romance Capítulo 2

A dor ainda pulsava em meu tornozelo quando ouvi o homem questionar, descrente.

— O que é isso, Lisa?

Descobri ali o nome dela, mas o homem, eu já sabia exatamente quem era. Daniel Savoia, a voz que pairava por trás do império da família mais rica do país. Ainda mais bonito do que na foto que eu havia visto na noite anterior.

Me virei um pouco, apoiando as mãos no chão, e meus olhos se fecharam no rosto atraente daquele homem que falava com a mulher ao seu lado como se não houvesse um ser humano caído diante deles. Os cabelos prateados se misturavam aos fios negros em uma dança que parecia perigosa demais, o tipo de beleza que não deveria existir. Imaginei os braços fortes embaixo do terno escuro que agora ele usava. Pensei, mas não podia, aquele seria o meu patrão.

Então fiquei em pé tentando não demonstrar a dor e me apresentei.

— Meu nome é Serena Bittencourt, eu vim para a... para a entrevista com o senhor Savoia.

Os olhos azuis encontraram os meus e desceram pelo meu corpo com uma lentidão estranha, me senti pateticamente nua. Será que ele já havia me descartado? Não sei quanto tempo aquilo durou, mas a resposta dissolveu minhas esperanças. Ele encarou a mulher ao seu lado e decretou frio:

— Ela não serve, procure outra!

Saiu em seguida e eu fiquei ali com a esperança escorrendo entre os dedos enquanto a mulher o seguia tentando argumentar.

— O currículo dela é ótimo, senhor, ao menos tente...

O barulho dos saltos da mulher foi a última coisa que ouvi antes das lágrimas escorrerem pelo meu rosto anunciando que eu havia estragado tudo. Mais uma vez o mundo me esmagou e a dor em meu corpo provava que eu não era suficiente para nada. Nem mesmo para ser a babá em uma casa como aquela.

Eu já estava saindo quando a voz feminina me chamou.

— Serena!

Olhei para trás sem conseguir disfarçar minha surpresa. O soluço cortou minha busca por dignidade, mas então veio a surpresa.

— O senhor Savoia vai recebê-la. Venha comigo.

A segui tentando não mancar, mas a cada passo que eu dava parecia que o barulho ficava mais estranho. Tentei caminhar com a ponta dos pés e ainda assim o ruído continuou.

Teck… xiii... teck… xiii

Olhei para trás e uma garotinha de cachinhos claros sorriu para mim. Ela também estava tentando se equilibrar em sapatos de salto, mas os que ela usava eram muito maiores do que os pezinhos delicados. Ela mudava o passo e arrastava o salto. Era dali que vinha o barulho e não dos meus passos errados.

Abaixei diante dela e falei sorrindo.

— Olá. Está muito bonita com esses sapatos vermelhos.

Ela não tinha mais do que cinco anos e as bochechas rosadas e os olhos claros gigantes me fisgaram naquele momento. A vozinha doce anunciou orgulhosa:

Nosso primeiro encontro 1

Nosso primeiro encontro 2

Nosso primeiro encontro 3

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