POV: LAUREN
A água ainda escorria pelo meu cabelo e pelas roupas pingando ao chão deixando um rastro molhado enquanto eu caminhava para os portões da mansão da minha família. Franzir o cenho ao perceber um caminhão de mudança estacionado na entrada principal, e vários homens carregavam móveis, quadros e caixas para dentro do veículo como se fossem meros objetos descartáveis. Meu peito apertou enquanto corria em direção a um dos homens, que carregava o antigo relógio de parede que meu pai tanto amava.
— O que está acontecendo aqui? Quem autorizou isso? — Minha voz saiu mais alta do que eu esperava, carregada de desespero.
— Senhora, por favor, mantenha a calma. — O homem disse, desviando o olhar e apressando o passo em direção ao caminhão.
Não aceitei a resposta vaga e corri para barrar o próximo carregador, segurando o braço dele com força.
— Essas coisas pertencem ao meu pai! — Eu gritei nervosa. — Vocês não podem simplesmente entrar na nossa casa e levar tudo assim!
Um homem engravatado, de terno impecável e óculos grossos, se aproximou lentamente, segurando uma prancheta em mãos. Ele ajustou os óculos antes de me encarar com um olhar frio e indiferente.
— Senhorita Lauren Becker, suponho? — Ele perguntou com uma frieza que me fez estremecer.
— Sim, sou eu! — Respondi, cruzando os braços na tentativa de esconder o tremor. — Agora, pode me explicar o que está acontecendo aqui?
— Meu nome é Daniel Martins, sou inspetor do Banco Central. — Ele começou, com um tom seco e profissional. — Seu pai adquiriu empréstimos para tentar salvar a empresa e, infelizmente, não conseguiu honrar os pagamentos. Este imóvel, assim como os bens listados, foram oferecidos como garantia nos contratos. Estamos aqui para cumprir o procedimento de recuperação de ativos.
Meu coração apertou.
— Garantia? — Eu repeti, quase sem voz. — Isso aqui é a nossa casa! Tudo o que está aqui pertence à minha família!
Ele retirou um papel da prancheta e o estendeu para mim.
— Aqui está o detalhamento da dívida. Como pode ver, o valor é substancial.
Tomei o papel com as mãos trêmulas. Meus olhos correram pelas linhas, mas parecia impossível entender os números. O valor era assustador, algo que nunca conseguiríamos pagar.
— Meu pai fez tudo o que estava ao seu alcance para salvar a empresa. — Minha voz vacilou, embargada pelo nó que apertava minha garganta. — E agora vocês querem levar tudo o que ele dedicou a vida inteira para construir?
— Não apenas levar, senhorita. — O inspetor continuou, sem demonstrar qualquer empatia com um sorriso cruel no rosto. — O imóvel será leiloado para cobrir parte da dívida. O restante deverá ser quitado pela família.
Minhas pernas quase cederam. A ideia de perder a casa, o lugar onde cresci, onde meu pai construiu um legado, tudo aquilo era demais.
— Isso não pode ser real. — Sussurrei para mim mesma.
O inspetor pareceu ignorar meu desespero e fez um sinal para que os homens continuassem o trabalho.

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