POV: LAUREN
Ele selou nossos lábios novamente, dessa vez mais demorado, mais profundo, como se quisesse arrancar de mim todas as verdades que eu ainda não estava pronta para admitir.
E talvez, naquele momento, eu também não estivesse pronta para entender o que, de fato, estava acontecendo entre nós.
— Estar com você e Theodor tem sido tão bom que eu tenho medo... — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro, enquanto tentava engolir o nó na garganta. — Medo de que tudo isso acabe. De que, em algum momento, vocês me odeiem.
Henry franziu o cenho, claramente confuso, e arqueou uma sobrancelha enquanto me fitava com intensidade.
— Por que diabos te odiaríamos, Lauren? — Sua voz saiu firme, mas sem dureza, apenas perplexidade. — Você foi a melhor coisa que aconteceu para nós. Você trouxe luz para esta casa, e com nosso filho, só vai torná-la ainda mais cheia de amor.
Minhas pálpebras pesaram com a onda de emoção que me atingiu.
— Henry... — sussurrei, sentindo o calor das lágrimas descerem pelo meu rosto antes que eu pudesse contê-las.
Sem hesitar, ele ergueu a mão e deslizou o polegar pelas minhas bochechas, afastando as lágrimas com um carinho que me desarmou por completo. Depois, inclinou-se e depositou beijos suaves em minhas pálpebras fechadas, em seguida na minha testa, como se quisesse selar uma promessa silenciosa.
— Não se preocupe. — Sua voz estava mais baixa agora, mais íntima. — Eu prometo que sempre vou cuidar de vocês. Não importa o que aconteça.
Meus lábios tremeram, e antes que pudesse segurar, a pergunta escapou:
— Jura?
Meu peito latejava com o medo irracional de que tudo fosse uma ilusão passageira, de que a felicidade que eu sentia fosse frágil demais para durar.
Henry não hesitou.
— Eu juro. — Sua mão ergueu meu queixo com delicadeza, forçando-me a encará-lo antes de tomar minha boca em um beijo intenso, profundo, carregado de tudo o que ele não disse em palavras.
A manhã se passou entre risadas, toques, conversas e beijos preguiçosos. Ele não mentiu quando disse que queria compensar o tempo perdido. Fizemos amor mais uma vez, sem pressa, como se não existisse nada além do calor dos nossos corpos. Depois, tomamos banho juntos, nos provocando entre beijos molhados e carícias exploratórias. Comemos no quarto, rindo como dois adolescentes que não conseguiam se desgrudar.
Mas logo o relógio nos chamou de volta à realidade.
Suspirei ao me levantar, ajeitando os cabelos e vestindo algo confortável. Theo chegaria em breve, e eu não queria que ele nos pegasse em uma situação embaraçosa.
Quando parei diante do espelho para ajustar a blusa, meus olhos caíram no pequeno volume que começava a se fazer presente em minha barriga. Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios enquanto minha mão acariciava suavemente a curva sutil.
Henry se aproximou por trás, envolvendo-me com seus braços fortes, encaixando-se contra minhas costas. Suas mãos quentes pousaram sobre minha barriga, cobrindo as minhas, e ele repousou o queixo no meu ombro.
— Você está ainda mais linda grávida. — A voz de Henry soou baixa, rouca, carregada de desejo enquanto ele mergulhava o nariz no meu cabelo, inalando meu cheiro, sua respiração quente roçando contra minha pele, provocando um arrepio delicioso.
Fechei os olhos por um breve instante, absorvendo a sensação, mas sua proximidade, o calor do seu corpo, a maneira como suas mãos deslizaram para minha cintura me fizeram abrir um sorriso.
— Henry… — Eu murmurei, me virando para encará-lo. Seus olhos intensos me fitaram com malícia, e o sorriso que ele carregava nos lábios deixava clara sua intenção. — Como pode estar assim de novo depois de tudo o que fizemos o dia todo? — arqueei uma sobrancelha, rindo com incredulidade. — Insaciável.
Ele inclinou a cabeça levemente para o lado, os dedos apertando minha cintura antes de deslizar lentamente para minhas costas.
— Isso é culpa sua. — Sua voz veio carregada de um tom provocador, os olhos brilhando em luxúria. — Você me negou por tanto tempo… me deixou acumulado de desejo, desesperado por você. Agora, quero recuperar cada segundo perdido.
Meu riso escapou involuntariamente enquanto me colocava na ponta dos pés e o puxava para um beijo. O contato foi quente, lento no início, mas logo carregado de necessidade. Henry segurou meu rosto com uma das mãos, aprofundando o beijo, sugando meu lábio inferior antes de morder de leve, me arrancando um suspiro.
O momento foi interrompido pelo som de passos no corredor. Nos afastamos no instante em que Theodor surgiu, mas algo estava errado. Ele não correu para os meus braços como de costume. Em vez disso, parou no meio do corredor, os olhos vermelhos e marejados.

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