POV: LAUREN
Nojo.
Era a única palavra capaz de traduzir o que eu sentia. Nojo, repulsa, desprezo, raiva, ódio… Uma enxurrada de sentimentos amargos se revirava dentro de mim, me envenenando. Meu estômago se contorcia com a lembrança do toque dele, da sua respiração, do cheiro enjoativo daquele perfume forte e invasivo que Ethan sempre usava. Eu queria arrancar minha própria pele, esfregar cada centímetro do meu corpo até apagar qualquer vestígio dele.
Como eu pude? Como um dia me entreguei a alguém tão sujo, tão desprezível? Como pude permitir que ele fizesse parte da minha história?
Olhei para as minhas mãos, trêmulas, frias, frágeis. Meu filho não merecia um pai como aquele. Meu filho. Meu pequeno e inocente bebê. A simples ideia de que o sangue de Ethan corria em suas veias fazia meu coração doer de raiva e impotência. Era uma injustiça cruel algo tão puro ter vindo de um homem tão podre.
Minha respiração ficou presa quando ergui o olhar e encontrei Henry. Seus dedos deslizavam por meus cabelos com suavidade, como se quisesse acalmar cada pedaço quebrado dentro de mim. Ele não se importava com as acusações. Não hesitava, não questionava, não duvidava. Por quê? Como ele podia confiar em mim dessa forma, quando eu mesma já não sabia quem eu era?
Minha garganta queimava com um choro preso. Ele não sabia. Ele não sabia a verdade.
E se soubesse? Se descobrisse tudo?
Eu estava traindo sua confiança, sua dedicação, seu amor… O amor que ele declarou diante do mundo inteiro. Carter disse que me amava. Ele disse. E eu… Eu estava mentindo.
Meu peito subia e descia rápido, como se o ar estivesse me abandonando.
— O que foi, Lauren? — A voz de Henry veio baixa, densa, cheia de uma intensidade que fez minha pele se arrepiar. Seu olhar atravessava o meu, como se pudesse enxergar tudo que eu tentava esconder. — No que está pensando?
Eu não podia fugir disso. Não podia fugir dele. Mas… eu estava com medo e apavorada.
— Por quê? — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro trêmulo, enquanto eu sentia meu corpo estremecer contra o calor dele.
Henry manteve os dedos entre meus cabelos, o toque firme e ao mesmo tempo cuidadoso. Seus olhos brilharam com uma intensidade difícil de decifrar.
— Por quê? — Ele repetiu, arqueando uma sobrancelha, claramente confuso.
Engoli em seco, tentando reunir coragem para perguntar aquilo que martelava dentro de mim.
— Por que me protege? Por que cuida de mim assim? — Minha respiração estava irregular. O ar parecia pesado dentro do carro. — E… — fiz uma pausa, hesitante, sentindo o peso daquelas palavras antes de soltá-las. — Por que me amaria?
O silêncio entre nós se prolongou por um instante que pareceu eterno. Então, um sorriso surgiu lentamente no canto dos seus lábios, carregado de algo indecifrável, ao mesmo tempo charmoso e perigoso.
— Ah… então você ouviu aquilo. — Sua voz era baixa, provocante com notas divertidas.
Meu peito apertou, e antes que pudesse controlar, um sorriso tímido surgiu em meus lábios.
— Gosto quando você sorri, Lauren. — Sua voz saiu mais rouca, carregada de algo profundo.
Pisquei algumas vezes, surpresa com a forma como ele me olhava. O dedo dele capturou meu queixo, deslizando suavemente pela minha pele, até erguer meu rosto na altura do seu. Meu coração deu um salto no peito.

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