POV: LAUREN
Meus dedos se fecharam contra o tecido da camisa dele. Meu peito subia e descia em um ritmo descompassado. Ele não entendia. Ele não sabia o que estava dizendo.
— Você só pode ser louco, Carter! — Minha voz saiu carregada de frustração. Fechei os olhos com força e pressionei minha testa latejante contra seu ombro. O contato com sua pele quente fez meu corpo inteiro reagir. — Por que quer tanto uma mulher quebrada como eu?
Houve um momento de silêncio, mas eu sentia sua respiração contra minha orelha, lenta e controlada. Então, suas mãos se moveram.
Uma delas subiu até minha nuca, os dedos deslizando entre meus cabelos e massageando a região com precisão, arrancando um suspiro involuntário dos meus lábios. Meu corpo inteiro estremeceu sob aquele toque, me odiando por ceder tão facilmente a ele.
— Porque eu sei que essa mulher quebrada — ele começou, sua voz carregada de convicção — é incrível.
Minha garganta apertou.
— É verdadeira.
A pressão em minha nuca aumentou levemente, e meus olhos se abriram.
— E… — Ele inclinou-se mais perto, sua respiração quente roçando minha pele. — Eu sei que você também me quer.
O choque percorreu minha espinha. Meus dedos tremeram contra seu peito.
Henry sabia. Ele sempre soube.
E eu estava cansada demais para continuar negando.
POV: HENRY
O carro parou diante da imponente mansão, e eu saí com Lauren nos braços, sentindo o peso frágil de seu corpo contra o meu. Sua cabeça continuava afundada em meu pescoço, o rosto escondido como se a vergonha e o medo fossem maiores do que sua capacidade de encarar a realidade. Sua respiração era entrecortada, errática, misturando soluços silenciosos a suspiros trêmulos. Ela não tinha forças para levantar o olhar.
Aquele maldito desgraçado a quebrou. De novo. De formas impensáveis.
Meu maxilar se retesou, meus dedos apertaram um pouco mais seu corpo contra o meu, como se pudesse colar os pedaços que ele estilhaçou. O ódio queimava em minhas entranhas como um veneno corrosivo. Eu o faria pagar. Ethan Walker sofreria cada centelha de dor que impôs a ela. Eu o destruiria, pedaço por pedaço, até que não sobrasse nada.
Ao atravessar a porta da mansão, vi Theodor correr em minha direção, seguido de perto pela mãe de Lauren. Os olhos arregalados, assustados, espelhavam o desespero que eu sentia. A voz do garoto saiu fraca, carregada de temor e uma esperança quebradiça.
— Fada? — A voz de Theo embargou ao pronunciar o apelido carinhoso. — Você está bem?
Lauren não respondeu. Ela não podia.
Ela tremia em meus braços, o corpo enrijecido pelo trauma, as unhas afundando em minha camisa como se eu fosse a única coisa que a mantinha ancorada à realidade. O peso do terror estava estampado em seu rosto, nos lábios entreabertos que buscavam ar como se estivessem presos em um pesadelo.

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