POV: LAUREN
Meu estômago revirou. Parte de mim se sentia protegida com aquela promessa. A outra, assustada. Eu sabia o que ele queria fazer. E isso me apavorava.
— Podemos... não falar disso hoje? — Eu pedi em voz baixa, buscando controlar minha ansiedade. Eu ainda precisava encontrar um jeito de convencê-lo a deixar essa sede de vingança. — Eu... só preciso de paz agora.
Henry observou meu rosto por um instante e então sorriu de canto. Aquele sorriso torto, que me desmontava.
— Você tem razão. — Ele murmurou, me puxando para um abraço. Senti seus lábios tocarem o topo da minha cabeça com um beijo calmo. — Descanse, Lauren. Estou aqui com vocês.
Meus olhos arderam de novo. O cansaço físico era pouco comparado ao emocional. E ainda assim, dormir parecia impossível.
— Tenho medo de dormir e acordar sem você. — Eu confessei, com a voz embargada. Um aperto no peito me roubou o ar por alguns segundos. — Me promete que vai ficar?
Ele abaixou o rosto até tocar meus cabelos com a boca, sussurrando baixinho:
— E onde mais eu iria, Lauren? Tudo o que eu preciso está aqui... — Ele fez uma pausa, e completou em um tom quase bem-humorado, mas ainda doce: — Bem, falta só o Theo.
Sorri de leve, mesmo com os olhos pesando e o corpo ainda tenso. O som constante das batidas do coração dele me embriagava. Era firme, constante, diferente do caos que vivia dentro de mim. Sua respiração me envolvia, quente, e o movimento suave de seus dedos nos meus cabelos era como um remédio. Um que começava a fazer efeito.
Aos poucos, fui sendo arrastada para o sono.
Mas ele não veio leve. Vieram os flashes.
Gritos.
Perfume barato. Aquele cheiro enjoativo que sempre grudava em Ethan, misturado à sua arrogância nojenta.
A gargalhada aguda da Violet ecoando, enquanto Ethan me prendia com força, os olhos dele brilhando de crueldade. Suas mãos me agarrando. Sua voz distorcida gritando comigo. O som do tecido rasgando. E meu choro. Meu desespero.
Comecei a me debater. Minha respiração acelerou, e as lágrimas escorriam mesmo dormindo. Implorava entre gemidos sufocados, desesperada, pedindo para ele parar.
— Lauren! Lauren, acorde! — a voz de Henry rompeu o pesadelo.
Abri os olhos com dificuldade. O quarto estava escuro, mas seguro. As lágrimas desciam sem controle, e meu corpo tremia. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, me joguei nos braços dele, me agarrando à sua cintura com força, como se ele fosse meu único ponto de equilíbrio. E era.
Enterrei o rosto em seu peito, soluçando, sentindo os músculos dele se contraírem ao meu toque. Ele me envolveu nos braços, apertando na medida exata, sem me sufocar.
— Foi só um pesadelo, amor. — Henry sussurrou, passando a mão pelas minhas costas com calma. — Você está segura. Eu estou aqui. Com você.
Fechei os olhos e deixei as lágrimas caírem em silêncio.
Ele me abraçou com mais força, como se quisesse manter cada pedaço meu junto, como se temesse que eu desmoronasse ali, nos braços dele. E talvez eu tivesse, se ele não estivesse ali.

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