POV: LAUREN
Henry me ergueu com facilidade, como se eu pesasse nada. Seus braços eram firmes, mas seu toque… era tudo menos bruto. Ele me secou com calma, sem pressa, respeitando cada parte do meu corpo como se estivesse cuidando de algo precioso. Eu. Pela primeira vez em muito tempo, alguém me tratava como se eu tivesse valor.
Ele ligou o secador e começou a passar o jato morno pelos meus fios. Os dedos dele se moviam com cuidado enquanto penteava meu cabelo devagar, desfazendo os nós sem puxar, como se cada toque dissesse: Você está segura agora. Eu estou aqui.
Meus olhos ardiam, mas não por causa da água. Era o gesto. O cuidado. A delicadeza. A maneira como ele tentava, mesmo sem saber exatamente o que fazer, me mostrar que eu importava.
Ele esticou meus braços com gentileza, passando por cima deles uma de suas camisas, enorme em mim, me vestindo com zelo, como se cobrir meu corpo fosse protegê-lo também da vergonha e da dor que ainda grudavam na minha pele. Quando terminou, sorriu de lado. Aquele sorriso torto, charmoso e contido, que só ele tinha.
— Não sou muito bom nisso, Becker. — Ele disse, coçando a nuca, meio desconcertado. — Me desculpe.
Ele estava tão lindo ali, meio perdido, tentando me cuidar, tentando acertar. Meu peito apertou. Um aperto bom. Quente. Real.
Me aproximei. Dei um passo tímido, e depois mais um. Fiquei na ponta dos pés, perto o bastante para sentir sua respiração contra meu rosto. Passei os braços ao redor do pescoço dele e o beijei. Devagar. Sem pressa. Um beijo calmo, que não pedia nada. Só devolvia tudo que ele me deu: carinho, cuidado, abrigo.
As mãos dele encontraram minha cintura. Me puxaram para mais perto. E ali, em silêncio, nós dois respiramos fundo um no outro. Ele interrompeu o beijo com um suspiro longo, colando nossas testas, e por um instante, o tempo parou.
— Obrigada, Henry. — Eu sussurrei, encostando meu rosto em seu pescoço. Me aninhei ali, sentindo seu cheiro. Forte. Quente. Inconfundível. Um cheiro que me fazia esquecer do mundo lá fora. — Por tudo.
— Venha, você precisa descansar. — ele disse com a voz baixa, quase como se não quisesse quebrar o clima. Me pegou nos braços mais uma vez, me levando com facilidade até a cama. Me colocou sobre os lençóis com um cuidado que me fez querer chorar outra vez. Cobriu meu corpo e ajeitou as cobertas sobre mim com calma, como se estivesse protegendo algo frágil.
Acariciou meu rosto com a ponta dos dedos. Depois, deixou um beijo suave na minha testa e começou a se afastar, mas o pânico me atingiu rápido. Estiquei o braço e agarrei o dele.
— Ei? Só preciso me trocar. — ele disse, começando a se afastar, mas parando assim que notou meu olhar. Seus olhos encontraram os meus com atenção. Ele me olhou como se soubesse exatamente o que estava sentindo, sem que eu dissesse uma palavra.
— Não... não precisa. — Eu respondi rápido demais, minha voz embargada, sem conseguir esconder o receio de que ele fosse embora nem que fosse por alguns minutos.
Ele riu baixinho. Foi um som suave, quase carinhoso. E mesmo que houvesse humor em sua expressão, havia também compreensão.
— Lauren, você tem noção do que está me pedindo? — Ele disse em um tom leve, quase brincalhão, aproximando o rosto. — É complicado para um homem dormir ao lado de uma mulher como você... usando só a minha camisa.
Ele esticou a mão e tocou a ponta do meu nariz com delicadeza. Eu tremi com o gesto.

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