POV: HENRY
As lágrimas se acumulavam nos olhos dela, brilhando sob a luz suave do quarto. Era um pedido silencioso, um apelo desesperado para apagar qualquer vestígio do desgraçado do Ethan. Ela queria que minha presença a envolvesse, que minha pele, minhas mãos, minha voz fossem as únicas coisas que existissem naquele momento. Ela queria se sentir desejada, respeitada, amada.
E eu faria isso. Eu mostraria a ela o que era ser tratada como algo precioso.
Não precisei dizer nada. Apenas a beijei.
Meus lábios tocaram os dela com suavidade, tomando cuidado para não ferir ainda mais sua boca machucada. O gosto salgado das lágrimas se misturava ao beijo, e senti um aperto sufocante no peito. Ela tremia, não de medo, mas de emoção contida, de algo que não conseguia colocar em palavras.
Minha mão subiu devagar, os dedos roçando sua pele quente até alcançar seu rosto. Acariciei sua bochecha com o polegar, afastando uma lágrima teimosa que escorria. Então, deixei um beijo ali, onde a gota havia passado, depois mais um em seu outro olho. Suave. Cuidadoso.
Segui um caminho lento, beijando a ponta de seu nariz, seu queixo, voltando aos seus lábios carnudos, sentindo o tremor leve de sua respiração entrecortada.
— Lauren… Podemos apenas ficar abraçados, em silêncio — Eu sussurrei contra sua boca, sentindo seu hálito quente misturado ao meu.
Eu a queria. Deus, como eu a queria. Bastava o menor toque para meu corpo responder à presença dela. Mas aquilo não era apenas desejo. Não era apenas algo carnal. Ela precisava saber disso.
— Eu só quero estar com você. — Eu reforcei para não haver dúvidas.
Um soluço estrangulado escapou de seus lábios.
— Por favor… — Ela sussurro em um fio de voz quebrado, frágil, vulnerável.
Meu peito apertou, e um peso de culpa e raiva se misturou ao amor que eu sentia por ela. Suspirei pesado e deslizei minha boca para seu pescoço, depositando beijos leves em sua pele macia. Cada centímetro dela merecia ser reverenciado.
Fui devagar, respeitoso, minhas mãos e meus lábios explorando seu corpo não com urgência, mas com um carinho cuidadoso, mostrando a ela que estava segura. Que ali, nos meus braços, nada e ninguém poderia machucá-la.
Quando alcancei sua barriga, parei.
Descansei a palma da mão sobre a pele quente, sentindo o pequeno volume que guardava o nosso filho. Meu filho. O nosso.
Engoli em seco e fechei os olhos, pressionando um beijo ali, sussurrando contra sua pele:
— Eu amo vocês. Vou proteger vocês. — Minha voz saiu baixa, carregada de uma promessa que nunca deixaria de cumprir. — Me perdoe por não ter conseguido naquela noite.

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