POV: LAUREN
Vi aquele homem arrogante e imponente em seu terno impecável se afastar, de mãos dadas com o adorável menino de olhos brilhantes. O garoto, no entanto, olhava para trás, com uma expressão triste que refletia o que eu sentia por dentro.
"Eu entendo sua dor", pensei, sentindo o aperto em meu peito. Ele era tão jovem, enfrentando algo tão difícil.
De repente, o menino soltou a mão dele e correu até mim, segurando o tecido da minha roupa com determinação.
— Por favor, fada, você gosta de mim, não gosta? — perguntou com uma doçura cativante, piscando os cílios com inocência. — Eu prometo que vou me comportar, fica comigo!
Segurei suas pequenas mãos, surpresa e pensativa.
— É claro que gosto de você, meu pequeno valente — respondi com um sorriso, vendo o alívio brilhar em seu rosto.
— Então você vai aceitar cuidar de mim? — perguntou esperançoso, dando pequenos pulos de animação enquanto balançava minhas mãos.
— E então, vai aceitar? — A voz firme e segura daquele homem interrompeu, chamando minha atenção. Seus olhos azuis fixaram-se nos meus, transmitindo a impaciência de alguém que estava acostumado a ter tudo sob controle. Ele parecia o tipo de pessoa que conseguia o que queria sem muito esforço.
Fiquei parada por alguns segundos, analisando o cartão que segurava. As letras elegantes e o número escrito no verso pareciam quase irreais, assim como o salário oferecido, muito além do que eu poderia imaginar. A ideia de trabalhar para Henry Carter, um bilionário conhecido por sua fama de exigente e a constante presença nas manchetes, era difícil de processar. Um desconforto tomou conta de mim, algo que ele percebeu imediatamente, franzindo o cenho sem desviar o olhar. Suspirei, lembrando da dívida que pesava sobre mim. Recusar não era uma opção.
— É uma oferta justa — disse ele com aquele ar de superioridade que parecia natural. — Se aceitar, o início precisará ser imediato. Sua estadia em minha residência será necessária o quanto antes.
— Estadia em sua residência? — Eu perguntei, sentindo meu rosto esquentar. — Está dizendo que terei que morar na sua casa?
— Eu pago bem por um motivo, Srta. Becker — Ele respondeu com firmeza, cruzando os braços. — Theo precisa de alguém com quem ele realmente se conecte. Sua presença na rotina dele é essencial. Não se preocupe, cobrirei os adicionais noturnos, se for necessário.
Suspirei novamente, desviando o olhar para Theodore, que me encarava com aqueles grandes olhos esperançosos.
— Por favorzinho, Fada! — Theo pediu, a voz manhosa e os olhos marejados, como se estivesse prestes a chorar. — Não me abandona também.
Meu coração apertou. Recusar seria impossível diante de uma criança tão doce e sincera. A conexão que sentia com Theo era genuína, mesmo que recente.
— Eu... — comecei, mas parei ao notar a expressão de Henry. Ele exibia um misto de paciência forçada e arrogância contida. — Certo, eu aceito.
— Excelente. Vamos até a sua residência e, assim que estiver pronta, partiremos para minha casa — declarou com um leve sorriso que parecia conter um desafio. — Por favor, tente não demorar. Theo está animado com sua presença, e eu detesto...
— Já sei, perder tempo — resmunguei, interrompendo-o. Isso o fez arquear uma sobrancelha com surpresa. — Muito bem, vamos!
Ainda processando tudo, observei um carro luxuoso parar ao meu lado. Henry abriu a porta com elegância, enquanto seu amigo tentava conter um riso discreto atrás da mão. Entrei, sentindo-me um pouco atordoada, e logo Theo saltou para dentro, cheio de animação, seguido por Henry. Antes de fechar a porta, o amigo dele, Lucian, inclinou-se e sussurrou algo em seu ouvido, lançando-me um olhar significativo.
— Boa sorte no novo emprego, Srta. Becker — disse Lucian, com um sorriso divertido, antes de fechar a porta. Um arrepio percorreu minha espinha.

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