POV: LAUREN
No mesmo instante, um som baixo cortou a chuva. Um soluço abafado, quase imperceptível, mas claramente próximo. Ficamos imóveis, em silêncio, como se respirar pudesse silenciar aquela esperança frágil. Nossos olhares se cruzaram por um segundo antes de começarmos a vasculhar os arredores.
— Ali — Eu apontei, a voz embargada. — Olha aquela árvore... Tem uma abertura.
A chuva dificultava a visão, os pingos pesados nublando tudo, mas vi um movimento sutil. Um pezinho se encolhendo para dentro do tronco oco.
— Graças à Deusa... Ele está aqui, Henry. — Eu falei.
Henry correu na frente, se agachando e entrando sem hesitar. Eu fui logo atrás. Dentro da árvore, Theodor estava encolhido, completamente encharcado, o corpo tremendo e os olhos arregalados pelo medo. Quando nos viu, soltou um grito abafado e se atirou nos nossos braços.
— Me perdoa, Fada... Me perdoa, tio... — Ele soluçava entre os braços de Henry, agarrado como se o mundo estivesse desabando. — Eu fiquei com tanto medo de perder vocês.
— Está tudo bem, Theo, já passou — Henry murmurou, a voz falha e embargada. Ele o puxou com força para um abraço apertado, colando o rosto em seus cabelos molhados, depositando beijos ali, tentando passar segurança, mesmo enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto. — Você está seguro agora. Mas por que fez isso? Por que se escondeu? Nós quase enlouquecemos.
— Eu... eu não queria que a Fada fosse embora... Eu não quero que vocês se separem... — Theo chorou ainda mais, o corpo tremendo em soluços descompassados. Quando ele se mexeu, soltou um gemido de dor e se encolheu, protegendo o pé.
Me aproximei rapidamente, apontando a lanterna. O pé estava visivelmente inchado. O desespero me invadiu com tudo.
— Theo, meu amor, já te disse que sempre estaremos com você, nós dois te amamos demais — Eu falei, olhando para Henry, que manteve os olhos fixos no sobrinho, a mandíbula contraída. — Não importa o que aconteça, seremos uma família. Mesmo que seu tio e eu não sejamos um casal.
— Mas eu não quero que seja assim — Theo fungou, escondendo o rosto no peito de Henry. Toquei de leve o tornozelo dele, tentando avaliar melhor, e ele gemeu de dor. — Ai, está doendo muito.
— O que aconteceu, campeão? — Henry perguntou, preocupado.

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