POV: LAUREN
Meu estômago afundou no instante em que compreendi. Theodor estava sozinho… no escuro… acreditando, com aquela cabecinha tão pura e bondosa, que sua ausência nos traria alívio. A ideia de que um menino de apenas sete anos pensava ser um fardo… me dilacerava. E agora, com a tempestade se aproximando e a floresta ficando cada vez mais densa e perigosa, o medo me tomava por inteiro.
O suor escorria pelas minhas costas, frio, mesmo com o ar abafado que me cercava. Minhas mãos tremiam, os dedos entrelaçados e inquietos na barra da blusa. A garganta ardia, seca, como se gritar o nome dele repetidamente tivesse arrancado minha voz.
— Vamos nos separar em duplas — disse Henry, e mesmo tentando manter a postura firme, sua voz falhou. — Usem os rádios para informar os locais já verificados. Cada grupo levará um mapa. Marquem as áreas. — Ele parou por um segundo e respirou fundo. Seus olhos estavam vermelhos. — Por favor, se esforcem... estão procurando meu mundo. Eu preciso encontrar Theodor bem.
O peso daquelas palavras caiu sobre todos como uma avalanche. Lucian apertou o ombro de Henry, e eu vi as lágrimas que ele tentou conter escorrerem.
Meu peito se comprimiu. Eu estava despedaçada por dentro, mas ele... Henry estava segurando sozinho o desespero de perder tudo de novo. Depois de tantas perdas, depois de carregar nos braços um sobrinho como um filho, Theodor era tudo o que lhe restava.
Olhei ao redor, torcendo as mãos, as unhas já gastas de tanto roer. O cenário parecia girar. Árvores, pessoas, vozes. Tudo distante. Tudo fora de foco. Meus olhos buscavam por aquele rostinho inocente com urgência.
— Lauren? — a voz de Henry me arrancou do torpor. Virei-me de súbito e o encontrei ali, parado diante de mim, os olhos distantes, apagados. Diferente de tudo que eu já tinha visto nele. — Quero que você fique aqui. Caso Theo retorne.
— O quê?! — Minha voz subiu, carregada de nervosismo, o coração acelerando ainda mais. — Não. Eu vou com vocês. Vou procurar.
— Você está grávida, Becker. — Ele falou mais alto, ríspido. A firmeza em sua voz escondia o desespero que escorria pelos seus olhos. — Pense no seu filho.
— Eu estou pensando nos meus dois filhos! — Declarei com raiva, passando por ele com força, mas Henry segurou meu pulso e me puxou de volta contra o corpo dele.
— Me solta, Carter! Eu vou fazer essa busca! Ele está lá fora, sozinho, e está esfriando... Eu preciso encontrá-lo, eu preciso... — minha voz embargou, os olhos marejaram, e um tremor percorreu meu corpo.
— Lauren... — Henry chamou, a voz grave e mais baixa, firme, porém quebrada. Eu parei, e quando levantei o olhar, vi seus olhos cheios de lágrimas contidas. — Eu não posso ficar preocupado com vocês dois. Vão me enlouquecer assim... Não posso procurar Theodor nesta floresta com medo de que você passe mal ou se machuque. Por favor...
O soluço escapou do meu peito. Meus joelhos fraquejaram, e eu encostei a testa no peito dele. Henry deslizou as mãos pelas minhas costas, envolvendo minha cintura e apertando suavemente a base da minha nuca com os dedos. Me puxou para perto, e aquele abraço doeu. Doeu porque era sincero, necessário, desesperado.
— Eu não consigo ficar aqui parada, Henry... — Eu confessei com a voz trêmula, tentando conter o peso das emoções. — Serei cautelosa, mas não me peça para ficar de braços cruzados enquanto o nosso garotinho está por aí, perdido. Não faça isso comigo. Eu sei que não mereço nada de você..., mas por favor, me deixa ajudar a encontrar o Theo.
Ele suspirou e depositou um beijo longo no topo da minha cabeça, os dedos acariciando meus cabelos, com um toque que misturava dor e ternura.

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