POV: VIOLET
— Fala, Ravi... soube que queria me ver? — minha voz saiu impaciente, forçada, enquanto eu tirava o maldito pepino dos olhos e mantinha as mãos estendidas, os dedos rígidos, esperando que a manicure terminasse de aplicar o esmalte.
Ele entrou como se a casa fosse dele. O sorriso cínico, o olhar que percorria cada canto da minha sala com um desprezo tão bem disfarçado que quase parecia charme. Quase.
— Subiu de vida mesmo, prima — ele murmurou, a voz arrastada, carregada de sarcasmo, como veneno escorrendo. — Quando você disse que conseguiria enlaçar um bilionário, eu pensei que era só uma das suas fantasias. Mas você conseguiu. Que espetáculo patético.
Revirei os olhos, bufando.
— Veio aqui para me invejar? — eu retruquei, com um sorriso debochado que sabia provocar nele a mesma raiva que ele despertava em mim. Eu conhecia suas fraquezas. E ele conhecia as minhas.
— Vim te alertar — disse ele, e o tom mudou. Ficou mais baixo, mais perigoso. Seus olhos cravaram nos meus com uma precisão que me fez estremecer. — O que eu sei... ah, Violet... o que eu sei vai acabar com essa sua vidinha de princesa. Vai destruir tudo.
O sangue gelou, mas disfarcei com um risinho presunçoso. Peguei minha taça, tentei parecer entediada, como se aquilo fosse só mais uma das suas chantagens baratas.
— Você viu os noticiários ultimamente? — Eu provoquei, girando o líquido no copo enquanto fingia estar desinteressada. Ele arqueou uma sobrancelha.
— O que foi? — Eu perguntei, tentando manter o controle.
— Não deveria beber... nas suas condições — ele disse, em um tom firme, e sem aviso tomou o copo da minha mão, derramando tudo no chão com um gesto calculado. O som do vidro batendo no mármore me fez estremecer. — Mesmo que esse filho que você carrega não seja do seu tão amado marido... é bom cuidar do futuro herdeiro, não acha?
Senti o estômago revirar. O ar ficou mais pesado. As paredes pareciam mais próximas, o calor da sala me sufocava. Tremi. A pele formigava, o suor escorria devagar pela minha nuca, e meu coração disparou, como se quisesse escapar pela garganta.
— Você enlouqueceu?! — Eu gritei, me levantando com brutalidade, quase tropeçando nos próprios pés. O esmalte fresco manchou a toalha branca da poltrona. Olhei para a manicure que me encarava, assustada. — Saiam. Agora. Todas vocês.
As funcionárias saíram em silêncio, apressadas, mas curiosas. A porta se fechou e a tensão ficou ainda mais insuportável.
— O que você quer, Ravi? — sibilei, sentindo minha voz vacilar. A garganta seca, os olhos ardendo.
Os empregados assentiram saindo correndo, bufei irritada, olhando para ele.
— Ethan já resolveu seu pequeno problema por erro médico. O conselho não vai mais te expulsar e o caso foi encerrado por falta de testemunha — Eu declarei, com o que restava de firmeza na voz, me aproximando dele. — E esse plano foi todo seu. Você me mandou fazer isso quando viu que eu não engravidaria logo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A BABÁ GRÁVIDA DO CEO