POV: LAUREN
— Esquece isso, Lauren. — Henry murmurou com a voz baixa e rouca, acariciando meus braços nus com os dedos firmes, provocando arrepios imediatos por todo o meu corpo. — Mia não conseguiu o que queria naquela noite. E ela vai pagar por cada maldito segundo. Já entrei com processo contra ela e contra James. A mídia pode até ter comprado a versão mentirosa daquela manipuladora, mas eu tenho provas suficientes pra acabar com os dois.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo o peso da realidade se misturar com tudo o que eu temia. Abri a boca, vacilante, tentando encontrar firmeza na voz.
— E você acha que ela não vai revidar? — Eu perguntei, me sentando na cama, deslizando meus dedos por seu tórax nu. O toque foi natural, mas ao mesmo tempo carregado de tensão. Meus dedos tremiam levemente e, ainda assim, ele estremeceu sob o contato, como se cada gesto meu ainda o afetasse profundamente.
— Isso não me importa. — ele respondeu firme, e num movimento rápido, agarrou meu pulso e me puxou de volta para ele, como se não quisesse me deixar sair nem por um segundo. Seu abraço era quente, possessivo, forte... e eu me perdi por um instante no conforto daquela força que só ele tinha. — Já sou seu, Lauren. De corpo, alma, tudo. Não quero, não penso e não vou querer mais ninguém. Só você.
Meu peito se apertou com aquelas palavras. Parte de mim queria ceder por completo, mas outra parte... ainda sangrava.
Mesmo assim, um leve sorriso escapou. Eu não conseguia evitar. Ele sempre conseguia atravessar minhas barreiras.
— E o que vamos fazer em relação ao meu bebê? — Eu arrisquei, com o coração acelerado, sentindo o medo rastejando sob minha pele. Minha voz vacilou.
Ele soltou o ar devagar, os olhos grudados nos meus.
— Hum... — murmurou pensativo, com um leve sorriso nos lábios. — Acho que podemos usar o seu quarto antigo, aquele ao lado do Theo. Pintar de rosa, talvez. Colocar um berço fofo. Posso providenciar tudo. O melhor. Tudo o que ela precisar.
— Henry... — Eu franzi o cenho, sentindo um nó se formar na garganta. — Estou falando sério.
Ele se inclinou, com aquele olhar que me desmontava toda vez, passou os dedos pelo meu rosto com uma delicadeza que contrastava com o jeito sempre firme e dominante dele.
— E eu também estou. — Ele disse com a voz carregada de convicção. — Nossa filha vai nascer. Eu vou registrá-la como minha, Lauren. Vou cuidar, proteger, amar. Assim como amo o Theodor. Não vai haver diferença entre eles. Nenhuma.
Engoli em seco, sem conseguir disfarçar o tremor no meu queixo. Ele me encarava com tanta certeza, com tanto amor... que me senti pequena diante da imensidão do que ele estava me oferecendo.
— Theo tinha razão... — ele continuou agora deslizando a mão até minha nuca, puxando-me levemente para mais perto. — Não importa se ela tem meu sangue ou não. Ela é minha. Porque você é minha. E eu não vou abrir mão disso. Nem por um segundo. Nem por um mero detalhe.
Minhas lágrimas escorreram silenciosamente. Não de dor. Mas da intensidade do que eu sentia por aquele homem. Do medo de perdê-lo. Da culpa por duvidar. Do alívio por tê-lo aqui, agora, escolhendo não só a mim, mas também a minha filha.

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