POV: LAUREN
— Vai dar certo. — Henry declarou com uma firmeza tão crua, tão intensa, que me vi estremecer de emoção e medo. Seu olhar me queimava, me prendia. — Alice é minha filha. Vou registrá-la como minha. Você e sua mãe agora fazem parte da minha família. E nos amamos, Becker. Pretendo passar o resto da minha vida com você.
As lágrimas invadiram meus olhos antes que eu pudesse impedir. Meus lábios tremeram, e um sorriso, frágil e carregado de incredulidade, escapou.
— Eu também quero passar o resto da minha vida ao seu lado, Henry. — Eu sussurrei, a voz falhando pela emoção.
Sem conseguir resistir, me joguei em seus braços. Ele me recebeu com firmeza, segurando minha nuca e encostando sua testa na minha. Senti sua respiração pesada, seu peito vibrando contra o meu. Meus dedos se enterraram em seus ombros enquanto nossos corpos se ajustavam, se reconhecendo.
Quando o beijei, foi com toda a intensidade daquilo que eu não conseguia mais esconder. Ele respondeu de imediato, tomando minha boca com desejo e respeito, como se me agradecesse por cada segundo que eu aceitava partilhar com ele.
O toque dele era urgente, mas ainda assim, cheio de um cuidado que me desmontava. Cada suspiro, cada estremecer nosso, era a confirmação de que estávamos exatamente onde deveríamos estar.
— Obrigada... — Eu murmurei entre beijos e suspiros. — Por tudo... principalmente, por aceitar o meu bebê.
— Nosso bebê. — Henry corrigiu, soltando um suspiro pesado enquanto me olhava com aquela mistura de ternura e autoridade que sempre me deixava sem chão. — Agora, se troque. Precisamos descer antes que pensem que estou a mantendo presa no quarto.
Dei uma risadinha, divertida, enquanto terminava de me vestir. A tensão leve no ar não me escapava, mas naquele momento, parecia ter uma camada de intimidade confortável entre nós. Peguei o celular e comecei a checar meus e-mails. Assim que abri a caixa de entrada, arregalei os olhos, surpresa. O coração disparou no peito.
Henry notou imediatamente. Ele se aproximou em passos firmes e envolveu minha cintura com os braços, colando o corpo quente e sólido ao meu, enquanto apoiava o queixo no meu ombro.
— O que foi? — Henry perguntou com a voz baixa e rouca, fazendo minha pele arrepiar só pela proximidade.
Senti sua respiração contra minha pele e precisei de um segundo para focar de novo no celular.
— O investidor que eu tinha comentado com você pediu para anteciparmos a reunião. — Eu contei, ainda meio sem acreditar, o nervosismo tomando conta. — É um bom sinal, não é? Preciso viajar para a Califórnia o quanto antes.
Henry se afastou ligeiramente e me virou de frente para ele, segurando meus ombros com firmeza. Seu olhar era atento, carregado de preocupação.
— Lauren — ele começou, a voz mais firme —, você não pode viajar nestas condições. Está grávida. Além disso, amanhã é o evento da Industri Carters, não vou conseguir te acompanhar.
Tentei me soltar do seu toque, dando um passo para trás. Meu peito subia e descia com a mistura de ansiedade e irritação.
— Não precisa me acompanhar. — Eu retruquei, cruzando os braços com força. — Já consultei o médico. Minha pressão está ótima, a gestação segue normal. Eu posso viajar.

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