POV: HENRY
Puxei Mia pelo cotovelo, ignorando os olhares curiosos enquanto a levava para os fundos da mansão. Assim que chegamos, soltei seu braço de forma brusca.
— Henry, você está me machucando! — reclamou ela, esfregando o local onde minha mão esteve. — Não precisava ser tão bruto!
— O que você quer, Mia? — perguntei, cruzando os braços e estreitando os olhos. — Não tenho paciência para as suas cenas.
— É exatamente por isso que nos afastamos, Henry. — Sua voz ganhou um tom manhoso enquanto ela mexia na minha gravata, fingindo estar magoada. — Você nunca tem tempo para mim. Até para o seu sobrinho você arranja tempo, mas para a sua noiva? Nunca!
— Ex-noiva. — Peguei suas mãos, afastando-as de mim com firmeza, mas sem machucá-la. — Ou já se esqueceu que foi você quem me deixou antes do casamento?
Dei um passo para trás, soltando-a com certa força, mas quando me virei para sair, Mia me surpreendeu ao me abraçar por trás. Ela pressionou o rosto contra minhas costas enquanto suas mãos subiam pelo meu abdômen, parando no meu peito e apertando com força.
— Eu estava confusa, Henry. Precisava de tempo para pensar. Não significa que não te amava. — Sua voz suavizou, mas eu não estava disposto a cair no mesmo jogo.
— Confusa? — Soltei uma risada seca. — Você estava confusa quando embarcou para Paris e sequer teve a decência de me dar uma explicação cara a cara?
Ela mordeu o lábio inferior, um gesto calculado que provavelmente funcionava com outros homens, mas não comigo. Dei um passo à frente, inclinando-me ligeiramente.
— Não tenho tempo para as suas justificativas, Mia. — Continuei em um tom firme. — Se está aqui para tentar recuperar algo que você mesma jogou fora, está perdendo seu tempo.
— Não é justo, Henry! — Mia soluçou, a voz quebrada em uma tentativa forçada de parecer vulnerável. — Você simplesmente despejou sobre mim o seu sobrinho. Eu era jovem, não sabia como cuidar de uma criança, como me tornar uma mãe tão cedo!
Revirei os olhos, a paciência esgotando-se rapidamente. Sua teatralidade era exaustiva, agarrando a minha camisa social tentando abrir uns botões, eu não tinha mais disposição para suas manipulações e seduções.
— Me poupe das suas encenações, Mia. — Eu desfiz o toque dela com um movimento firme, erguendo uma sobrancelha e a encarando friamente. — Eu nunca pedi para você ser mãe do Theo. Pedi que estivesse ao meu lado, que me ajudasse a lidar com o luto dele… e o meu!
Ela abriu a boca para se justificar, mas levantei a mão, interrompendo-a antes que continuasse. Dei um passo à frente, encurtando a distância entre nós, e vi seus olhos arregalarem levemente enquanto recuava instintivamente até encostar na parede.
— Eu não terminei de falar. — Minha voz era baixa, mas carregada de autoridade. — Não me interessa o motivo pelo qual você decidiu voltar a esta cidade. O que importa é que você fique longe de mim e da minha família. Entendeu?

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