POV: LAUREN
Ficar perto de Henry estava se tornando perigoso.
Toquei meus lábios, ainda sentindo o gosto dele, a lembrança vívida de seu beijo queimando na minha pele. Meu corpo parecia marcado pelo toque firme de suas mãos, como se ele ainda estivesse ali, me segurando, me provocando.
Mordi o lábio, tentando afastar as sensações. Passei as mãos pelo rosto, frustrada.
— O que eu estou fazendo? — eu resmunguei, encarando meu reflexo no espelho. Meus olhos estavam mais brilhantes do que o normal, minhas bochechas coradas. Eu não podia continuar assim. — Isso já está complicado o suficiente.
Soltei um longo suspiro, tentando colocar meus pensamentos em ordem.
— Mas por que ele veio aqui ontem à noite? — eu murmurei, lembrando do barulho na porta, da forma como seu olhar me consumiu, do beijo que ele tomou sem hesitar. — Droga!
O pior era que eu gostei.
Ninguém nunca me beijou daquela forma. Ninguém nunca me tocou com tanta intensidade, como se eu fosse algo precioso e proibido ao mesmo tempo. Nem mesmo Ethan, meu ex-marido, havia me desejado daquela maneira.
A lembrança me atingiu forte, junto com suas palavras sussurradas entre o álcool e o desejo: "Minha doce Becker."
Arregalei os olhos, sentindo meu coração falhar uma batida.
— Não pode ser... — eu franzi o cenho, sentindo uma pontada de dúvida se instalar. Seria possível? Henry Carter poderia ser aquele garoto?
Antes que pudesse mergulhar mais fundo nesse pensamento, meu estômago revirou, arrancando-me de minha confusão.
— Ei, pequeno, desculpa. Já passamos da hora de comer, não é? — eu murmurei, acariciando minha barriga com um carinho instintivo.
Logo, minha curva mais linda começaria a aparecer. E por mais que minha vida estivesse uma bagunça, isso era uma das poucas certezas que eu tinha: eu amava esse bebê com todo o meu coração.
— Tenho certeza de que você e Theodor serão grandes amigos. — eu sorri sozinha, imaginando a cena de Theo correndo pela casa com meu bebê, rindo, brincando, trazendo vida para aquele lugar.
A ideia aqueceu meu peito.
Animada, fui direto para o banho. Liguei uma música e comecei a cantarolar enquanto a água quente relaxava meus músculos. Saí enrolada em uma toalha, ainda secando o cabelo, balançando levemente o quadril ao ritmo da melodia.
Foi quando ouvi uma garganta sendo discretamente limpa.
Parei no mesmo instante, meu coração disparando. Me virei rápido e encontrei Henry encostado no batente da porta, braços cruzados, uma sobrancelha arqueada e um sorriso de canto brincando em seus lábios.
— Banho divertido? — Ele perguntou, a voz carregada de charme. Umedeceu os lábios devagar, como se saboreasse a cena diante dele. — Podia ter me convidado para essa festa.
Meus olhos se arregalaram, o calor subindo instantaneamente para meu rosto.
— Sr. Carter! — Eu exclamei, apertando a toalha contra o corpo, completamente consciente do quão vulnerável estava. — O que faz aqui?
Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, deixou o olhar deslizar lentamente pelo meu corpo, sem pressa alguma. Sua língua passou pelos dentes e ele mordeu a boca de leve, examinando cada detalhe antes de finalmente encontrar meus olhos novamente.
Meu corpo ficou tenso, minha pele queimando sob seu olhar intenso.
— Vim te fazer um convite. — Ele deu de ombros como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Em suas mãos, ergueu alguns papéis. — A propósito, achei seus termos... interessantes.
Engoli em seco.
— Se leu meus termos, então sabe que não deveria fazer insinuações sobre banhos juntos. — Eu cruzei os braços, tentando recuperar o controle da situação. — E não deveria invadir o meu quarto.

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