POV: HENRY
Minha voz saiu firme, sem pressa. Meus olhos percorreram seu corpo, captando cada detalhe da camisola fina que abraçava suas curvas. Droga... por que ela tinha que estar tão irresistível?
— Já terminamos. — Ela rebateu, a voz firme, mas o olhar relutante. Tentou puxar o braço, mas apertei levemente, mantendo-a ali. — Não houve nada.
Ergui uma sobrancelha, avaliando sua expressão tensa.
— Nada? — Eu repeti devagar, inclinando-me ligeiramente.
— Nada. — Ela insistiu, desviando o olhar.
— Então por que está fugindo de mim? — Eu me aproximei um pouco mais tocando seus cabelos tirando uma mexa de seu rosto, passando atrás da orelha. — Por que está me olhando assim se não houve nada?
Becker abriu a boca, mas se calou. Seu peito subia e descia rápido, denunciando o nervosismo.
— Preciso ir antes que Theodor volte. — Ela disse por fim, forçando um tom neutro. — Como vamos explicar que passamos a noite juntos?
Inclinei um pouco a cabeça, estudando-a.
— Somos adultos, Lauren, não precisamos... — Eu comecei dizendo, mas, ela me interrompeu com um aceno firme, negando.
— E o contrato? — Eu soltei um suspiro, limpando a garganta, lutando contra a vontade de provocá-la ainda mais.
— Está em sua mesa, como ordenou. — Ela respondeu sem hesitação, mantendo a postura rígida. — Meus termos são inegociáveis, Sr. Carter. Se não aceitar, o acordo está encerrado.
Por fim, saiu sem olhar para trás.
Fiquei parado, observando a porta se fechar, minha mente girando.
Tentei puxar as lembranças da noite passada, mas tudo que minha mente me entregava era o sabor do seu beijo, o calor do seu corpo pressionado contra o meu, a suavidade da sua pele sob meus dedos.
Minha respiração ficou pesada, meu corpo reagindo ao simples pensamento.
Passei uma mão pelos cabelos, frustrado.
— Até onde fomos ontem à noite, Sra. Becker? — Eu murmurei para mim mesmo, a pergunta ecoando em minha mente.
E, mais do que isso, por que diabos parecia que eu queria tanto fazer de novo?
Afastei os pensamentos sobre Lauren e segui direto para meu quarto. Precisava de um banho frio, de um remédio para a ressaca e, acima de tudo, de distância dela.
— Francis, leve café e um analgésico para o meu escritório. — Eu ordenei à governanta enquanto caminhava pelo corredor.
— Sim, Sr. Carter. — Ela respondeu prontamente.
Entrei no banheiro e liguei o chuveiro, deixando a água fria cair sobre minha cabeça. Precisava limpar a mente e focar no trabalho.
Saí do banho sentindo a cabeça latejando menos, me vesti rapidamente e caminhei para o escritório. Peguei o celular, destravando a tela, e vi algumas mensagens de Lucian:
Lucian: Chegou vivo?
Continuei lendo.
Lucian: Parabéns pelo contrato com os franceses. Fechamos um grande negócio. Embora esteja surpreso por seu exagero de ontem na bebida, não é uma crítica, é bom relaxar de vez em quando. Mesmo que tenha sido por causa de sua adorável babá...
Revirei os olhos ignorando a última parte, respondendo com um breve: "Estou bem. Falamos depois."
O contrato com os franceses estava fechado. Os números estavam alinhados, os impactos na empresa seriam positivos, e isso deveria ser a única coisa na minha mente agora. Mas a verdade era que, por mais que tentasse me concentrar no sucesso da negociação, a lembrança bagunçada da noite passada ainda pairava na minha cabeça.
O álcool cobrava seu preço, mas o real incômodo não era a ressaca.
Entrei no escritório e fechei a porta, exalando um suspiro antes de caminhar até a mesa.
O contrato estava lá, exatamente onde pedi. A caneta repousava sobre os papéis, mas o que chamou minha atenção foram as anotações à mão.

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