POV: LAUREN
— Amiga, eu não vou deixar você sair dessa cama. — Kate cruzou os braços e ergueu o queixo, me olhando com firmeza. — Pelo amor de Deus, você quase perdeu seu bebê e a própria vida.
A culpa pesou no meu peito.
— Eu sei. — eu murmurei, abaixando a cabeça.
Meus dedos apertaram o lençol enquanto minha mente voltava para aquele momento. O medo ainda estava em cada célula do meu corpo.
— Aquele homem... — Minha voz saiu fraca. — O que aconteceu com ele? Quem ele era?
Kate soltou um suspiro cansado e se aproximou.
— A polícia o prendeu. O nome dele é William Bournes. Parece que ele foi um dos investidores da empresa do seu pai. — Ela explicou.
— Ele queria me matar. — Meu estômago revirou.
— Sim. E eu ainda não consigo acreditar que ele invadiu o restaurante daquele jeito. — Kate balançou a cabeça, claramente indignada. — Mas já passou. Ele está preso. Agora você precisa focar na sua recuperação.
— Não acabou, Kate. — Eu engoli em seco.
Meus lábios tremiam, meu peito apertava com a certeza de que aquilo era apenas o começo.
— Meu pai enganou muitos investidores. Eu vi os números no banco. — Minha garganta secou. — E se outros vierem atrás de mim? E se for pior da próxima vez?
Minha mão deslizou até minha barriga. Fechei os olhos e mordi o lábio.
— Como eu vou ter meu filho com esse risco? — Eu sussurrei, esfregando as mãos nervosamente. — E se eu estivesse no restaurante com Theo?
A ideia me deixou tonta.
— Meu Deus, Kate, eu sou...
— Chega! — Kate se aproximou rapidamente e me envolveu em um abraço apertado.
Ela esfregou minhas costas de leve, tentando acalmar minha respiração descompassada.
— Respira devagar, amiga. Por favor. — Sua voz era calma, mas firme. — Pense no seu bebê.
Fechei os olhos e tentei puxar o ar devagar.
— Vocês estão seguros. — Kate foi para trás para me encara com carinho, forçando-me a encará-la. — Eu estou aqui amiga. E vou continuar aqui, aconteça o que acontecer. — Ela sorriu.
— Quando foi que tudo começou a dar errado, amiga? — Minha voz saiu embargada, as lágrimas se acumulando nos meus olhos.
— No momento em que você disse sim para aquele idiota do Ethan. — Kate resmungou, soltando um palavrão. — Aquele cretino nunca te mereceu.
Soltei um suspiro pesado.
— Eu deveria ter te ouvido. — Eu me afastei um pouco e sequei o canto dos olhos com a ponta dos dedos. — Mas a dívida do meu pai não é culpa do meu ex-marido.
Kate bufou, cruzando os braços.
— Se ele não tivesse sido um canalha ao ponto de te obrigar a reivindicar seus direitos na empresa, você poderia ter vendido sua parte e quitado a dívida. — Ela se levantou e ajeitou meu cabelo, prendendo-o em um coque bagunçado.
— Para de se culpar por coisas que não são sua responsabilidade, Lauren. Seu pai te deixou em uma confusão gigantesca, Ethan te traiu e te abandonou quando você mais precisava. — Ela suspirou e me encarou com um meio sorriso.
— E, surpreendentemente, Henry Carter apareceu na sua vida e já fez mais por você do que seu pai e seu ex juntos. — Kate concluiu pensativa. — Vou ter que agradecer esse homem pelo resto da vida.
O aperto no meu peito ficou mais forte.
— Se ele sobreviver. — Minha voz falhou no final. A simples ideia de que Henry poderia não sair dessa era sufocante.
Senti meu corpo pesar e, antes que pudesse reagir, o cansaço venceu. Os medicamentos começaram a fazer efeito novamente, e meus olhos se fecharam contra minha vontade.
A voz do médico ecoou ao fundo, mencionando o nome de Henry Carter.
Meu coração acelerou.
Abri os olhos lentamente, piscando algumas vezes até minha visão se ajustar. Kate e o médico estavam ao lado da cama, e ambos se viraram para mim assim que perceberam que eu estava acordada.
— Como ele está? — Eu resmunguei, tentando me sentar.
— Sra. Becker, que bom que despertou. — O médico disse, no tom profissional de sempre, enquanto verificava meus sinais vitais. Ele fez algumas perguntas rápidas antes de continuar. — O Sr. Carter está fora de risco e descansando no quarto dele. Sua amiga me disse que você estava agitada, querendo vê-lo. Vou pedir para uma enfermeira trazer uma cadeira de rodas para levá-la até lá.
— Não precisa disso, posso ir andando… — Eu comecei a falar, mas parei no meio da frase ao ver o olhar nada amigável do médico e a expressão fechada de Kate.
Suspirei, derrotada.
— Ok, já entendi. Sem esforços.
— Eu mesma vou levá-la, doutor. — Kate disse de imediato, cruzando os braços. — E vou garantir que Lauren não levante o traseiro da cadeira.

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