POV: LAUREN
Minha respiração ficou pesada, meu corpo tremendo de raiva e humilhação. As lágrimas se acumularam em meus olhos, mas eu me recusei a deixá-las cair.
— Saia daqui! — gritei com os dentes cerrados, tentando me levantar, minha voz transbordando de fúria. — Agora!
Arthur me lançou um último olhar de desprezo antes de se virar e sair lentamente, deixando para trás o peso de suas ameaças.
Fiquei ali parada por alguns segundos, encarando o chão enquanto via Arthur se afastar até desaparecer na distância. Quando finalmente me virei, meus olhos encontraram rostos conhecidos, pessoas que um dia chamava de amigos. Mas nenhuma mão se estendeu para me ajudar. Respirei fundo e me levantei sozinha, limpando a poeira das roupas, enquanto ouvia sussurros e risos contidos ao meu redor.
Os mesmos que haviam prometido estar comigo em qualquer situação agora cochichavam e lançavam olhares carregados de julgamento.
— Lauren, ouvi dizer que seu pai deixou você... bastante endividada. — Claire, uma antiga colega da faculdade, comentou com uma voz doce, mas o sorriso nos lábios era cruel.
— Deve ser difícil perder tudo assim, não é? — outra voz alfinetou, e risadas abafadas se espalharam pelo grupo.
Engoli em seco, tentando conter a vergonha que queimava meu rosto. Mas eu precisava de ajuda. Eles eram minha última esperança. Dei um passo à frente, minha voz vacilante, mas decidida.
— Pessoal, eu sei que não deveria pedir isso... — Eu comecei sentindo os olhares afiados sobre mim. — Mas será que vocês poderiam me emprestar algum dinheiro? Só o suficiente para que eu possa resolver essa situação. Eu prometo devolver cada centavo.
O silêncio que se seguiu foi quebrado pela risada debochada de James, que jogou um braço sobre os ombros de Claire como se estivesse assistindo a um espetáculo.
— O quê? Nos pedir dinheiro? — ele disse, zombando. — Para você fazer como o seu pai? Nos roubar e nunca pagar? Sabe como dizem, tal pai, tal filha.
— O que você está dizendo, James? Crescemos juntos! Meu pai sempre ajudou sua família nos momentos de crise. Ele até pagou seu colégio particular para que você tivesse o que tem hoje! — falei, incrédula, tampando a boca com a mão para conter o soluço que ameaçava escapar. — Claire, todos os finais de semana você estava na minha casa, aproveitando a piscina, a comida, tudo que estivesse à disposição. Vocês são meus amigos! Só estou pedindo um empréstimo, uma ajuda temporária!
Claire soltou uma risada sarcástica, seus olhos brilhando com desprezo.
— Como você é ingênua, não é mesmo, garota? — disse ela, a voz carregada de ironia. — Nunca gostamos de você. Só queríamos o que seu pai podia nos oferecer. Nossos pais nos obrigavam a te aturar!
James gargalhou, cruzando os braços enquanto me olhava com frieza.

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