POV: HENRY
A camisola ainda era provocante, mas bem mais comportada do que a última que vi.
Seus olhos pousaram em minhas mãos.
A expressão dela mudou na hora.
— Sério que está fumando? — Ela cruzou os braços, seu olhar fixo no cigarro entre meus dedos.
Um canto da minha boca se ergueu em um meio sorriso.
— Eu preferia um uísque, mas acho que meu médico não aprovaria álcool com os remédios. — Eu levei o cigarro aos lábios, mas antes que pudesse tragar, Lauren surgiu diante de mim, arrancando-o da minha mão. Sem hesitar, jogou no chão e pisou sobre ele, esmagando com força.
— Ei, eu ainda não tinha terminado. — Eu resmunguei, erguendo uma sobrancelha.
— Qual é o seu problema, Carter? — Ela se virou para mim, os olhos faiscando de raiva. — Você foi esfaqueado, quase morreu, e agora acha uma boa ideia fumar?
— Becker, se acalme… — Eu segurei seus ombros, sentindo seu corpo tenso, os músculos rígidos sob meus dedos. Ela tremia.
— Não, você não está entendendo! — Sua voz falhou, e então, ela ergueu o olhar para mim. Os olhos marejados fizeram meu peito apertar. — Você é imprudente! Quase morreu por minha causa! E agora fica se movimentando sem necessidade, ignorando sua recuperação…
O peso daquelas palavras caiu sobre mim. Não era só raiva. Era medo.
Soltei um suspiro longo e a puxei contra mim. No início, ela resistiu, rígida entre meus braços, mas aos poucos seu corpo cedeu. Sua testa encontrou meu peito, e um suspiro trêmulo escapou de seus lábios.
— Você não pode negligenciar sua recuperação… — Ela murmurou, a voz abafada contra minha camisa. — Não pode se arriscar por alguém como eu… Theodor não pode viver com medo de te perder.
Fechei os olhos por um instante. Ela não fazia ideia do quanto eu já estava envolvido.
— Becker… — Eu toquei seu queixo, erguendo seu rosto até nossos olhares se encontrarem. Passei o polegar pelo canto de seu olho, afastando uma lágrima teimosa que escorria.
Seus lábios se entreabriram, a respiração quente contra minha pele.
— Eu estou aqui. — Eu murmurei, a voz baixa, firme. — E não pretendo ir a lugar algum.
Seus lábios estremeceram e seus olhos se arregalaram em surpresa. Ela sequer havia percebido que o medo que passava para Theodor vinha dela mesma.
— Eu não… — Sua voz falhou, e ela recuou alguns passos. — Só quero que se cuide, Sr. Carter.
Lauren. Sempre fugindo. Sempre escondendo o que sente. Sempre mudando de assunto.
Avancei sem hesitar, segurando seu rosto entre minhas mãos, obrigando-a a me encarar. Sua pele estava quente sob meus dedos, a respiração instável, e seu olhar vacilou por um segundo antes de prender-se ao meu.
— Do que mais você está com medo, Becker? — Eu murmurei, a voz baixa, firme. — O que não está me dizendo?
Seus lábios se entreabriram, mas ela hesitou.
— Eu não posso continuar com este contrato. — Ela sussurrou, tentando abaixar a cabeça, mas não deixei. Mantive seu rosto entre minhas mãos, deslizando os dedos até sua nuca.

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