POV: HENRY
Ajustei-me na cama, puxando-a para mais perto até que sua cabeça descansasse sobre meu peito.
Lauren deslizou a mão suavemente pelo meu tórax. O toque foi leve, mas suficiente para me fazer estremecer. Mordi a parte interna da boca, controlando minha reação.
— Becker? — Eu chamei seu nome, a voz mais rouca do que pretendia.
— Sim? — Ela respondeu baixo, em um bocejo quase preguiçoso, como se o cansaço estivesse finalmente tomando conta.
Desci os olhos para sua mão, que continuava traçando caminhos lentos pela minha pele.
— Se continuar me acariciando assim, vai ter que me dar muito mais do que apenas bons beijos. — Eu comentei rouco e grave.
Lauren congelou por um instante antes de erguer os olhos para mim, surpresa. Sua mão parou no mesmo segundo, hesitante.
Um riso baixo escapou do meu peito.
Capturei sua mão antes que ela pudesse afastá-la completamente, levando-a até meus lábios. Beijei suavemente o dorso antes de pousá-la de volta em meu tórax.
— Assim está melhor. — Eu sussurrei, mantendo sua palma pressionada contra minha pele.
Aos poucos, sua respiração desacelerou.
Os músculos dela relaxaram contra mim, e em minutos sua respiração tornou-se ritmada, profunda.
Observei-a por um momento, admirando seus traços enquanto dormia.
Lauren Becker era simplesmente linda. E mexia comigo mais do que eu estava disposto a admitir.
Minhas mãos deslizaram até seu rosto, afastando uma mecha solta de cabelo. Meus dedos percorreram sua bochecha, depois seus lábios, ainda levemente inchados pelo nosso beijo.
Meu peito subiu em um suspiro silencioso.
— Lauren Becker... quem diria que estaria em meus braços depois de tantos anos. — Eu murmurei, a voz baixa.
Estudei seu rosto adormecido, minha mente vagando por uma lembrança que nunca me deixou.
Ela não sabia.
Não se lembrava.
Mas eu sim.
Aproximei meus lábios de sua testa e fechei os olhos por um breve momento.
— Como você reagiria se lembrasse que sou o homem daquela noite no baile?
Não sabia por quanto tempo dormi, mas quando despertei, senti algo diferente.
Meus braços estavam sobre dois corpos pequenos e quentes.
Virei o rosto para o lado e vi Lauren, alinhada ao meu corpo, dormindo profundamente. E ao lado dela, Theodor, encolhido contra ela, abraçado como se pertencesse ali.
Resmunguei baixo ao me mover, sentindo o incômodo da ferida, mas não me importei.
Fiquei ali, observando os dois.
Se alguém entrasse naquele momento e olhasse para essa cena, diria que éramos uma família completa.
E algo dentro do meu peito apertou.
Lauren dormia tranquila, os cabelos espalhados sobre o travesseiro. Sua respiração era calma, seu rosto relaxado, seus lábios levemente entreabertos.
Theodor estava completamente à vontade entre nós dois, como se esse fosse o lugar certo para ele.
Balancei a cabeça, tentando afastar a sensação estranha que crescia dentro de mim.
Levantei-me devagar, sentindo um leve desconforto na lateral do corpo, e sentei na beira da cama.
Olhei para trás uma última vez, observando os dois ainda mergulhados no sono.
Eu estava me apegando demais a essa ideia.
A ideia de ter Lauren Becker ao meu lado, de fazer parte da vida dela, de vê-la cuidando de Theo como se fosse algo natural.
Parecia certo.
Theo a adorava. Ela era boa para ele.
Mas no fundo, eu sabia.
Ela estava sendo mais do que boa para nós dois.
Para mim.

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