POV: LAUREN
Acordei péssima. Meu corpo estava exausto, minha cabeça latejava, e meu estômago ainda parecia revirado da noite anterior. Mal conseguia compreender o que Henry veio fazer no meu quarto. O dia anterior havia sido um inferno, passei horas jogando tudo para fora, e agora a tontura me fazia lutar contra o próprio corpo para sair da cama.
Mas o que mais me preocupava eram as dores no pé da barriga. Elas estavam mais intensas, e minha barriga endurecia de tempos em tempos. Mordi o canto da boca, nervosa. Será que meu bebê estava bem?
Peguei o celular e disquei o número do Dr. Ravi.
— Alô, Doutor Ravi? — Eu sussurrei, com receio de ser ouvida por alguém na casa. — Sou eu, Lauren Becker, tem um minuto?
— Sra. Becker, é sempre um prazer falar com você. — Sua voz saiu animada. — Você está bem? Parece abatida.
Suspirei, tentando manter a calma.
— Confesso que não estou nos meus melhores dias. — Eu admiti, sentindo meu estômago protestar de fome, mas sem conseguir me alimentar. — Me desculpe pedir isso de última hora, mas o senhor poderia me atender hoje?
— Claro. Sempre há tempo para minha paciente preferida. — O tom de Ravi continha um traço de diversão, o que me deixou desconfortável. — Venha até o hospital, deixarei sua consulta agendada na recepção.
— O senhor é um anjo, obrigada. — Eu apertei o celular com mãos trêmulas, aliviada por ter encontrado um bom médico e amigo.
— Te espero, Sra. Becker. — Ravi encerrou a ligação.
Após mandar Theodor para a escola, chamei um carro por aplicativo. Ao sair, senti um olhar sobre mim. Me virei e vi Henry parado na janela, segurando uma xícara, me observando. Seu olhar era intenso, avaliador. Acenei, mas ele não respondeu.
— Mal-educado. — Eu resmunguei, entrando no carro.
O trajeto foi tranquilo e rápido. Assim que cheguei ao hospital, fui encaminhada diretamente para a sala de espera. Me joguei na cadeira, sentindo o corpo dolorido e cansado. Meus olhos pesavam, minha boca ainda carregava o gosto amargo da noite anterior, e meu abdômen protestava com uma dor incômoda.
A porta do consultório se abriu, e Ravi surgiu. Seu olhar se estreitou ao me ver, avaliando minha condição. Ele leu rapidamente algumas fichas e então chamou meu nome.
Ao entrar, senti sua mão firme segurando meu cotovelo. Ele me fez parar e olhar para ele, surpresa.
— Você está pálida. — A voz de Ravi era séria, examinando meu rosto de perto. — Sente-se. Vamos descobrir o que está acontecendo.
— Devo estar péssima pela sua expressão. — forcei um sorriso, olhando para onde Ravi segurava meu braço. Ele percebeu e me soltou, puxando a cadeira para que eu me sentasse. — Obrigada.
— Agora me diga, por que você está parecendo um zumbi e tão pálida? — Ele soltou, com um tom descontraído, mas seu olhar era avaliador. — Enjoos? Os remédios que te receitei não estão ajudando?
Suspirei, sentindo o peso da exaustão.
— No começo ajudaram, mas parece que meu bebê resolveu protestar contra eles. Meu cômodo preferido agora é o banheiro. — tentei brincar, mas minha voz saiu fraca. — Além disso, tenho sentido muita fraqueza, tontura e dores no ventre.
O sorriso de Ravi desapareceu. Ele pegou minha ficha e passou os olhos rapidamente antes de me encarar.
— Entendi. Vi a matéria sobre o que aconteceu. Sei que sofreu um ataque. — Ele completou.
Meu corpo ficou rígido.

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