POV: HENRY
Estacionei no subsolo da empresa e saí do carro, sentindo a rotina da corporação me envolver novamente. O ambiente ao meu redor era familiar, mas, naquele dia, havia uma tensão no ar que parecia pesar sobre mim.
Mal fechei a porta e já vi Mia me esperando do outro lado, braços cruzados, olhar impaciente. Suspirei, já esperando a cena que viria a seguir.
— Precisamos conversar. — Ela disse se aproximando, sua voz carregava um tom de cobrança.
Passei a mão pelo paletó, ajeitando-o sem pressa, antes de lançar um olhar entediado para ela.
— Se for sobre minha vida pessoal, Mia, não tenho tempo para isso. — Eu falei de forma direta, seguindo em direção ao elevador. — Se precisar de uma reunião comigo, agende um horário com minha secretária.
Ela me seguiu, os saltos ecoando pelo piso do estacionamento.
— Acha que me convence com essa relação de fachada com sua babá? — Mia disparou, sua voz transbordando desprezo. — Te conheço, Henry. Você é incapaz de manter uma relação. Se queria algo assim, por que não me procurou?
Ri baixo, sem humor, e olhei para o relógio antes de encará-la com frieza.
— Mia, supere e siga em frente. — Eu falei com frieza e sarcasmo ao ver seus olhos vacilarem com as minhas palavras. — Eu já fiz isso há muito tempo.
Ela arregalou os olhos, mas rapidamente voltou a franzir o cenho, a raiva borbulhando em sua expressão. Deu um passo à frente e agarrou a barra do meu blazer.
— Por que ela? — Mia me fuzilou com o olhar, sua voz carregada de indignação. — O que ela tem que eu não tenho, Henry?
Parei abruptamente, meu corpo ficando rígido. Com calma, soltei seu aperto da minha roupa e a encarei com desdém.
— Lauren aceitou Theodor. — Minha voz saiu baixa, mas firme. — Ela é uma mulher de verdade, uma verdadeira mãe e esposa. Algo que você jamais seria capaz de ser.
O choque estampado em seu rosto me deu a confirmação de que minhas palavras atingiram exatamente onde deveriam.
— Você vai pagar por isso! — gritou, fora de si, enquanto meu segurança interveio, impedindo-a de se aproximar mais.
Apertei o botão do elevador, ignorando os protestos de Mia. As portas se abriram no momento exato em que Lucian apareceu, correndo em minha direção.
— Segura o elevador! — Ele chamou, apressado, entrando ao meu lado e lançando um olhar divertido. — Você sabe mesmo como irritar uma mulher.
— Já deveria estar acostumado. — Eu respondi, ajeitando os punhos do paletó. — O que você tem para mim?
Lucian puxou uma pasta debaixo do braço e a entregou para mim.
— Precisamos falar sobre o acidente do seu irmão. Há algo estranho nisso. No mesmo dia, Ethan teve um conflito com ele. Coincidência? Talvez não. — Lucian ficou com a expressão sombria.
Abri a pasta, analisando os documentos com atenção.
— E tem mais. — Ele continuou. — Investiguei a fundo o suicídio do magnata, no dia da morte do pai de Lauren, Ethan foi visto com ele. Testemunhas afirmam que tiveram uma discussão intensa, e houve ameaças. Uma frase chamou atenção: "Você pode ter me erguido, mas sou eu que tenho o poder de te derrubar". — Lucian recitou, cruzando os braços.
Fechei a pasta devagar, sentindo a tensão se espalhar pelo meu corpo. Cada detalhe daquele relatório me deixava mais alerta.
— Isso soa como uma ameaça clara. — Ponderei, enquanto o elevador se aproximava do meu andar. — Você acha que o ex-marido da Becker está por trás das mortes dos dois?
Lucian inspirou fundo antes de responder, sua expressão carregada de seriedade.
— Eu não descartaria essa possibilidade. — Ele afirmou com firmeza. — E não é só isso. Ele está dificultando a vida dos seus acionistas, segurando relatórios financeiros e custos da PharmaCare. Algo grande está sendo encoberto.

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