Encarar de tão perto, aquele que vinha causando os meus problemas, não era como eu havia esperado.
Eu não conseguia vê-lo como a criatura que haviam pintado, ele controlava o submundo, os seres das trevas, tinha me atacado, mas o olhando ali parado a minha frente, tão calmo enquanto me esquadrinhava, que não parecia se encaixar no perfil.
— Eu não sou sua, não pertenço a ninguém. — falei entre os dentes, querendo acabar com qualquer ideia errada que ele tivesse. Tinha o chamado aqui com um motivo e apenas isso.
— Entendo. Você foi exposta a essa coisa do amor humano por toda sua vida e não compreende a grandeza do pertencer. — falou cheio de floreios, dando passos lentos a minha volta, me cercando como se eu fosse sua presa e eu não gostei nada daquilo.
— Amor humano? — desenhei do que tinha dito. — E você, Koschei é o que?
— Sou muitas coisas, precisaria de tempo para explicar tudo para você e sei que também quer saber toda a verdade que não estão te contando, mas não temos esse tempo, não vai demorar para aquele lobo estar aqui, tentando garantir que eu não chegue perto de você. — ele se aproximou e parou na minha frente. — Mas posso começar te dizendo que meu nome não é Koschei, esse é um dos nomes que me foi dado por contadores de história ao redor do mundo. Meu nome é Nikolai.
— Como sabe que Quanah vai voltar rápido...
— Vamos só dizer que não é nenhum segredo o quanto ele te cerca e se a ligação que vocês tem, for mesmo forte, ele sentiu no momento em que você usou os poderes para destruir a casa.
Ele estava certo, era um milagre que Quanah já não estivesse aqui. Mas ele voltar ou não, era minha menor preocupação no momento.
— Isso não importa, eu preciso de respostas antes de qualquer coisa. O que te trouxe aqui? Porque me quer viva, se mata bruxas para se alimentar do poder delas? E porque meu filho tem que morrer, mas não podem me machucar?
Cuspi minhas principais questões, mas nem de longe a maioria dela. Porém antes que ele tivesse a chance de responder um vulto passou por mim, com força e rapidez mãos me zagarraram, me tirando de perto de Nikolai.
— O que diabos estava pensando? É mesmo uma criança mimada que não tem noção das consequências! — um Quanah furioso estava parado na minha frente, o rosto suado me dizia o quanto ele provavelmente já estava longe.
Não sabia que lobisomens podiam ser tão rápidos assim, mas o cenho franzido fez meus pensamentos se calarem, ele estava realmente furioso.
— Qual é o problema? Tem medo que eu faça o que você pensou e deixe que ele me leve daqui?
Quanah não me respondeu, apenas mostrou ainda mais os dentes e semicerrou os olhos em minha direção.
— Eu bem que adoraria é uma pena que isso seja apenas um expectro e que sua amada só tenha questões não respondidas. — o olhei ainda mais curiosa, ele parecia tão real, feito de carne e osso. — Já que você não quis levá-la até o vampiro, ela conseguiu sozinha as próprias fontes.
Vampiros? Aquilo era verdade? Eu não deveria estar surpresa mais com nada desse mundo sobrenatural, mas ainda sim me surpreendia.
Só não sei o que me chocava mais, que vampiros realmente existissem ou o fato de que Quanah estava indo até um atrás de respostas.
— Fique longe dela, Bridget não precisa de nada que venha de você! — a voz do Alfa soou me fazendo voltar ao pressente.
— Ai é que você se engana, ela precisa de mim mais do que de você! — os dois travaram uma batalha de olhares e eu tinha certeza que se um deles pudesse matar o outro com o poder do olhar, os dois estariam caídos duros no chão. — Desde que ela nasceu eu estive ao seu lado, protegendo, guardando para que nada de ruim chegasse até ela...
— Desde que eu nasci? — minha pergunta saiu quase como um sussurro.
Como? Porque? Eram as perguntas que rondavam minha cabeça agora.
Como ele poderia ter estado ao meu lado minha vida toda e eu nunca ter percebido?
O único homem que sempre esteve na minha vida foi Will, mas...
Will tinha sumido, segundo Agnes ele tinha me envenenado e tentado me tirar da cidade.
— E estava esperando o momento que ela fosse correr perigo, para que pudesse salvá-la e finalmente ser o herói da história de alguém? — Quanah o questionou.
Eu continuava ainda mais confusa, a cada fala dele mais perguntas surgiam e nenhuma resposta que acabasse com elas.

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