Eu estava paralisada, encarando a figura machucada, rasgada, queimada e sangrando que era Peta. Ele ergueu a cabeça, um olhar fraco mas ainda orgulhoso de mais para morrer sem lutar.
— Não! Lute Peta, não desista! — Alice gritou e eu voltei meu pensamento para o que importava naquele momento.
— Elas não podem usar os poderes. — Kalina sussurrou para que apenas eu escutasse. — A gaiola está impedindo e ele a controla.
Desviei o olhar de Peta para Alice, precisava encontrar um jeito de libertar os dois ao mesmo tempo, do contrário Hades tentaria matar um deles.
— Cuide dele. — falei para ninguém em particular, Kalina tomaria a frente e os outros a seguiriam. — O que quer em troca de libertá-los? — olhava nos olhos dele enquanto andava em sua direção.
— Acha que está em posição de negociar? Sei muito bem de quantos esperam lá fora, acha mesmo que eu seria tão estúpido assim? Tenho esperado que você viesse atrás de mim há anos, agora que finalmente consegui estar um passo a sua frente não baixarei a minha guarda! Vou matar todos que puder, quantos eu quiser!
Enquanto ele tagarelava, fazendo as paredes da caverna sacudirem com sua voz, eu me adiantei, andei até estar perto o suficiente dele para sentir o calor da lava.
— Porque está fazendo isso, Hades? Se nunca tivesse vindo atrás de mim e dos meus não estaríamos aqui agora. — torcia para que Kalina também tivesse avançado, mas não podia desviar o olhar dele. — Eu nem ao menos te conhecia, porque iria atrás de você para matá-lo?
— A profecia dizia que um do meu sangue viria para me matar, eu jurei que nunca teria filhos, mas isso não adiantou de nada, fui traído pelos meus irmãos, que conseguiram fazer com que você nascesse! Quando descobri o poder que você tinha sabia que precisava matá-la, mas algo impede que eu a mate, tentei torcer esse lindo pescocinho quando você cabia na palma da minha mão.
— E o que te impediu? — questionei dando corda para que ele continuasse falando, isso nos dava tempo.
— Nunca descobri, mas podemos ver se ainda está protegida! — ele se ergueu do trono e eu me concentrei ainda mais nele.
Hades desceu até estar no mesmo nível que eu e então deu os últimos passos que faltava para chegar até mim. Ele era mais alto do que eu pensei ou no outro dia que nos vimos estar flutuando me enganou. Seu corpo estava coberto com um tecido de couro, parecido com uma armadura, ele tinha vindo mesmo preparado para guerra.
— O que vai ser? Vai tentar me estrangular novamente? — questionei e ele abriu um sorriso largo e sombrio.
— Não, vou matar um por um dos que você ama, quero assistir você se afogando em lágrimas e dor, até que você finalmente implore para que eu te mate.
Ele era um desgraçado, a pessoa mais baixa que e podre que eu já tinha conhecido. Não entendia porque ele me odiava e como podia me odiar daquela forma, se nunca fiz nada a ele. Mas agora ele iria pagar, tinha mexido com a família errada.
— Acho que vamos fazer isso de outro jeito, eu resgato meus amigos, mato você e tudo fica bem. — falei chegando ainda mais perto, tentando mostrar a ele que não tinha medo, mesmo que estivesse tremendo.
— Vão! — ele gritou e seus escravos do submundo começaram a sair, marchando para o lado de fora.
Me virei aproveitando a distração dele e vi que Kalina já tinha alcançado Peta. Brooke o segurava enquanto ela e Denah tentavam algo para romper as correntes.
— Você não vai desistir, não é? Não vai parar até que eu esteja morta. — falei tentando manter sua atenção em mim.
— Não, não vou. Nem que para isso seja preciso matar todos que você conhece!
A lista era grande e a maior parte dessas pessoas estavam do lado de fora daquelas paredes. Se não conseguíssemos dar um fim nele hoje, seríamos apenas corpos até o fim do dia.
Kalina conseguiu quebrar a corrente, todos nós ouvimos o barulho alto dos grilhões se partindo. Infelizmente isso incluía Hades, ele ergueu as mãos no mesmo instante, fazendo uma parede de lava se erguer do rio em direção aos meus amigos.
— Não tão rápido! — no mesmo instante o chão estremeceu, se rachando, partindo-se em dois e engolindo a lava consigo.
Seria tão mais fácil se aqui houvesse um rio, ou qualquer fonte de água que eu pudesse usar para cessar aquela lava.
Brooke correu na frente, enquanto Denah erguia o amigo fraco nos ombros e era protegido por Kalina.
— Acha mesmo que pode me impedir sozinha? — ele bradou e uma força o atirou do contra seu próprio trono.
Quando olhei para trás vi Brooke tremendo com as mãos erguidas, como tínhamos lhe ensinado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Bruxa e o Alfa