Me virei na cama sentindo um frio imenso, puxei as cobertas até meu peito, mas nada parecia fazer passar. Senti o braço de Quanah envolvido em minha cintura e me apertei ainda mais contra ele, tentando fazer com que o seu calor cessasse o frio que se alastrava por meu corpo.
— Não vai passar. — uma voz desconhecida falou e eu pulei sentada na cama. Não havia ninguém no quarto, apenas eu e Quanah que ainda dormia. — É o frio da morte querida, estou chegando.
— Quem está ai? — gritei, já jogando as cobertas para o lado e me levantando.
— O que está acontecendo? Bri porque está gritando? — Quanah se ergueu ainda sonolento, esfregando os olhos e me encarou. — Volta pra cama amor, não tem ninguém aqui.
Ele se esticou, alcançando meu braço e se assustou ao sentir minha pele.
— Tem alguém aqui, pois eu ouvi a voz. — tentei explicar. — Quem está ai?
— Bri, você está congelando! Que merda é essa? — ele finalmente se levantou da cama e me envolveu com um cobertor, esfregando meus braços em uma tentativa inútil de me esquentar.
Então uma figura apareceu na minha frente, magro alto, cabelos cumpridos e vestido com uma túnica preta. Lembrava muito Hades, menos pela magreza.
— Você me deve uma vida! — suas palavras me arrepiaram dos pés a cabeça. — É melhor descobrir como vai me pagar, ou não me importarei de levar você e seu filho.
Tentei usar meus poderes, mas não pareceu surtir efeito o vento sacudiu, e nem mesmo a chuva o molhou. O que estava acontecendo ali?
— Bri, só estamos nós aqui. Está perdendo o controle dos seus poderes ou está tentando atacar alguém?
Apontei a minha frente, mas Quanah ainda não entendi nada.
— Tem um homem bem aqui, bem aqui na sua frente!
— Ele não pode me ver, querida. É você quem me deve uma vida, não ele. — sabia que ele falava a verdade, porque Quanah ainda me encarava como se eu fosse maluca. — Tic-tac, o tempo está passando e eu vou cobrar.
Então desapareceu como uma nuvem de fumaça evaporando.
— A morte! E... ela está atrás de mim, isso foi um aviso, o frio que não passava ele disse que é o frio da morte, eu lhe devo uma vida e se não pagar ele levar eu e o nosso filho como pagamento.
Quanah praguejou e envolveu os braços em volta de mim, me puxando para a cama e tentando me acalmar.
— Não, não. Isso não vai acontecer! — ele murmurou e beijou os meus cabelos. — Ninguém vai te tocar! Você só precisa matar alguém, uma vida por outra vida.
— Eu não posso sair por ai matando as pessoas por esporte, preciso encontrar Hades, é a forma mais certa de se fazer isso.
— Você pode acabar com outra pessoa, te garanto que o que não vão faltar é pessoas merecendo morrer, não sobraram tentativas para te matar e... — Quanah continuava tagarelando enquanto meus pensamentos corriam sobre todas as minhas opções.
Então um estalo me fez pular na cama, pronta para correr atrás de Alice. Se a morte tinha tão gentilmente me prestado uma visita, deveria ter feito o mesmo com Alice.
— Alice! — gritei correndo pelo corredor até alcançar o quarto de Peta. — Alice abre a porta!
Bati desesperada na madeira e no segundo seguinte Peta estava atrás de mim, me seguindo mesmo sem entender nada.
— Já vai! — ouvi a voz sonolenta de Peta e isso de certa forma me tranquilizou, se eles ainda estavam dormindo ela não tinha recebido nenhuma visita maluca. — Alguém morreu para todo esse desespero?
Peta abriu a porta passando a camisa pela cabeça, e eu o empurrei querendo entrar, o quarto dele era parecido com o de Quanah e eu olhei em todos os cantos possíveis. Alice não estava na cama, no banheiro, nem na pequena varanda.

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